Em apoio aos EUA, Bolsonaro afirma que entregará terroristas que atuem no Brasil

Declaração dada a jornalistas explica o que seria o apoio do Brasil aos EUA manifestado em nota emitida pelo Itamaraty

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (06/01) que o apoio do Brasil aos EUA, anunciado em nota emitida pelo Ministério das Relações Exteriores logo após o assassinato do general iraniano Qassem Suleimani pelos EUA, significa que o país entregará terroristas que atuarem no país.

"Se tiver qualquer terrorismo no Brasil a gente entrega. É por aí. Assim como entregamos Battisti... Entregamos, não. O Battisti viu que iam entregá-lo e fugiu. Assim como os cubanos, médicos, entre aspas, saíram antes de assumir. Sabiam que ia entregar os caras, (tinha) um montão de terrorista no meio deles", afirmou Bolsonaro.

Em sua fala o presidente referia-se ao italiano Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos nos anos 1970 e cuja extradição para o território italiano foi autorizada pelo então presidente Michel Temer, e aos médicos cubanos que atuaram no programa Mais Médicos, embora não haja evidências de envolvimento dos profissionais cubanos com atividades terroristas no Brasil. 


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Em entrevista a jornalistas na saída do Palácio do Alvorada, ao ser questionado sobre a possibilidade do envio de tropas brasileiras a um eventual conflito, o presidente reafirmou que pretende entregar terroristas. "Que tropa, não existe...Não vou discutir esse assunto contigo. Se tiver terrorista no Brasil vai ser entregue, não interessa sua nacionalidade, não interessa. Como entregamos chilenos, como terroristas aqui, paraguaios, também entregamos agora, há poucos meses."

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Bolsonaro concede entrevista a jornalistas

Itamaraty se alinha aos EUA contra Irã

As declarações de Jair Bolsonaro reafirmam o alinhamento do Brasil com os EUA de acordo com a nota emitida pelo Ministério das Relações Exteriores na última sexta-feira (03/01), depois do bombardeio sobre o aeroporto de Bagdá, no Iraque, que assassinou o general Qasem Soleimani, comandante da Força Al Quds, unidade especial da Guarda Revolucionária Iraniana.

Segundo o comunicado, o Ministério das Relações Exteriores afirma que ”o Governo brasileiro manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo e reitera que essa luta requer a cooperação de toda a comunidade internacional sem que se busque qualquer justificativa ou relativização para o terrorismo".

Confira a íntegra da nota emitida pelo Itamaraty:

Acontecimentos no Iraque e luta contra o terrorismo

Ao tomar conhecimento das ações conduzidas pelos EUA nos últimos dias no Iraque, o Governo brasileiro manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo e reitera que essa luta requer a cooperação de toda a comunidade internacional sem que se busque qualquer justificativa ou relativização para o terrorismo.

O Brasil está igualmente pronto a participar de esforços internacionais que contribuam para evitar uma escalada de conflitos neste momento.

O terrorismo não pode ser considerado um problema restrito ao Oriente Médio e aos países desenvolvidos, e o Brasil não pode permanecer indiferente a essa ameaça, que afeta inclusive a América do Sul.

Diante dessa realidade, em 2019 o Brasil passou a participar em capacidade plena, e não mais apenas como observador, da Conferência Ministerial Hemisférica de Luta contra o Terrorismo, que terá nova sessão em 20 de janeiro em Bogotá.

O Brasil acompanha com atenção os desdobramentos da ação no Iraque, inclusive seu impacto sobre os preços do petróleo, e apela uma vez mais para a unidade de todas as nações contra o terrorismo em todas as suas formas.

O Brasil condena igualmente os ataques à Embaixada dos EUA em Bagdá, ocorridos nos últimos dias, e apela ao respeito da Convenção de Viena e à integridade dos agentes diplomáticos norte-americanos reconhecidos pelo governo do Iraque presentes naquele país.

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