Ernesto Araújo sai de férias em meio à crise no Irã

Com ausência do Ministro das Relações Exteriores, governo não se pronuncia sobre pedido de explicações do Irã à diplomacia brasileira

Em meio à grave crise entre Irã e Estados Unidos, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, aproveitou para tirar férias. A informação foi passada na porta do Palácio da Alvorada pelo presidente Jair Bolsonaro em conversa com jornalistas na manhã de terça-feira (07/01).

Na conversa, ao ser questionado sobre o que faria depois que o Irã pediu explicações à diplomacia brasileira sobre o posicionamento do Brasil com relação ao assassinato do general iraniano Qassim Soleimani, Bolsonaro esquivou-se com a seguinte afirmação: “Estou aguardando o que haverá após essa convocação aí. Nós repudiamos terrorismo em qualquer lugar do mundo e ponto final”, disse. 

Sobre o teor da conversa da Encarregada de Negócios da embaixada brasileira em Teerã Maria Cristina Lopes, que foi convocada para uma conversa com as autoridades iranianas, Bolsonaro disse que aguarda o retorno de Araújo para se pronunciar. “O Ernesto está fora do Brasil, chegando aqui vou conversar com ele. Não falo de certos assuntos sem ouvir determinados ministros".



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Na última sexta-feira (03/01), depois do bombardeio sobre o aeroporto de Bagdá, no Iraque, que assassinou o general iraniano Qassim Soleimani, Araújo emitiu uma nota do Itamaraty que demonstra um alinhamento do governo brasileiro com os EUA sobre o caso.

Ministério das Relações Exteriores / Flickr
Ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo

Segundo o comunicado, o Ministério das Relações Exteriores afirma que ”o governo brasileiro manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo e reitera que essa luta requer a cooperação de toda a comunidade internacional sem que se busque qualquer justificativa ou relativização para o terrorismo".

Confira a íntegra da nota:

Acontecimentos no Iraque e luta contra o terrorismo

Ao tomar conhecimento das ações conduzidas pelos EUA nos últimos dias no Iraque, o Governo brasileiro manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo e reitera que essa luta requer a cooperação de toda a comunidade internacional sem que se busque qualquer justificativa ou relativização para o terrorismo.

O Brasil está igualmente pronto a participar de esforços internacionais que contribuam para evitar uma escalada de conflitos neste momento.

O terrorismo não pode ser considerado um problema restrito ao Oriente Médio e aos países desenvolvidos, e o Brasil não pode permanecer indiferente a essa ameaça, que afeta inclusive a América do Sul.

Diante dessa realidade, em 2019 o Brasil passou a participar em capacidade plena, e não mais apenas como observador, da Conferência Ministerial Hemisférica de Luta contra o Terrorismo, que terá nova sessão em 20 de janeiro em Bogotá.

O Brasil acompanha com atenção os desdobramentos da ação no Iraque, inclusive seu impacto sobre os preços do petróleo, e apela uma vez mais para a unidade de todas as nações contra o terrorismo em todas as suas formas.

O Brasil condena igualmente os ataques à Embaixada dos EUA em Bagdá, ocorridos nos últimos dias, e apela ao respeito da Convenção de Viena e à integridade dos agentes diplomáticos norte-americanos reconhecidos pelo governo do Iraque presentes naquele país.

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