Ministro Ernesto Araújo exige da China "retratação" por resposta a tuíte de Eduardo Bolsonaro

Filho do presidente culpou Partido Comunista chinês pela crise do coronavírus e foi rebatido pelo embaixador chinês: "repudio suas palavras"

Atualizada às 17h13

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, criticou o embaixador chinês nesta quinta-feira (19/03) ao comentar sobre a crise diplomática aberta pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro ao culpar a China pela pandemia do coronavírus.

Em nota, o chanceler disse ser "inaceitável que o embaixador da China endosse ou compartilhe postagem ofensiva ao Chefe do Estado do Brasil e aos seus eleitores".

Na noite desta quarta-feira (18/03), após Eduardo Bolsonaro culpar o governo chinês pela pandemia do Covid-19, o embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming, repudiou as declarações do deputado e as classificou como "insulto maléfico".


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"A parte chinesa repudia veementemente as suas palavras, e exige que as retire imediatamente e peça uma desculpa ao povo chinês. Vou protestar e manifestar a nossa indignação junto ao Itamaraty e a Câmara dos Deputados", escreveu o representante diplomático.

Segundo Araújo, "em nenhum momento ele [Eduardo Bolsonaro] ofendeu o Chefe de Estado chinês" e a "reação do embaixador foi, assim, desproporcional e feriu a boa prática diplomática".

Itamaraty
Ernesto Araújo considerou 'inaceitável' declarações do represente diplomático da China no Brasil

Entretanto, nenhuma das publicações feitas pelo embaixador chinês e pela embaixada da China no Brasil citam o presidente Jair Bolsonaro. Ainda ontem à noite, Wanming republicou uma postagem que chamava a família Bolsonaro de "grande veneno deste país". 

Pela sua conta no Twitter, o deputado federal por São Paulo e filho do presidente comparou a pandemia de coronavírus com o desastre da usina nuclear de Chernobyl e comparou o governo chinês com o governo da extinta União Soviética, chamando ambos de "ditaduras".

Araújo ainda afirmou que comunicou o embaixador chinês da "insatisfação do governo brasileiro com seu comportamento" e disse esperar "uma retratação por sua repostagem ofensiva ao Chefe de Estado".

As declarações de Eduardo Bolsonaro foram condenadas pela presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. "A atitude não condiz com a importância da parceria estratégica Brasil-China e com os ritos da diplomacia. Em nome de meus colegas, reitero os laços de fraternidade entre nossos dois países. Torço para que, em breve, possamos sair da atual crise ainda mais fortes”, afirmou Maia.

Ainda nesta quinta-feira, o deputado Bolsonaro se defendeu das críticas dizendo que jamais ofendeu o povo chinês e que seu comportamento "não tem o mínimo traço de xenofobia".

Em nota publicada em suas redes sociais, Eduardo Bolsonaro voltou a comparar a pandemia de coronavírus com o desastre de Chernobyl, afirmando que "a liberdade de expressão e imprensa são limitadas pelo governo" na China. O deputado ainda disse que não deseja "problemas com a China" e que jamais teve "pretensão de falar pelo governo brasileiro".

Leia a nota de Araújo abaixo:


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