223 jornalistas despareceram durante ditadura militar na Argentina, aponta relatório

Número foi revelado no dia do jornalista, após uma atualização do Registro Unificado de Vítimas do Terrorismo de Estado da Secretaria de Direitos Humanos e Pluralismo Cultural do país

Duzentos e vinte e três. Este é o número de jornalistas e trabalhadores da comunicação desparecidos durante a ditadura militar na Argentina (1976-1983). O número foi revelado nesta sexta-feira (07/06), dia do jornalista no país, após uma atualização do Registro Unificado de Vítimas do Terrorismo de Estado da Secretaria de Direitos Humanos e Pluralismo Cultural argentina.

Se forem considerados os estudantes de Comunicação que desapareceram durante o período repressivo, o número de vítimas chega a 228.

O Registro se baseia em documentos do governo argentino, assim como em prontuários policiais, registros de cemitérios e testemunhos em processos judiciais que apuram crimes de lesa humanidade durante a repressão.

A cada nova pesquisa, o número de desaparecidos aumenta. A primeira lista de jornalistas que sumiram durante a ditadura, publicada em 20 de dezembro de 1986 em um informe da Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas, apontava que 84 profissionais haviam sido sequestrados pelo aparelho repressor. Já na época, essa cifra representava 1,6% de todos os casos de desparecimentos registrados no país.

No ano seguinte, o livro Com Vida Los Queremos (Com Vida os Queremos, em tradução livre), editado pela Associação de Jornalistas de Buenos Aires, elevava o número para 90.

Em 1998, um novo livro, Periodistas desaparecidos. Las voces que necesitaba silenciar la dictadura (Jornalistas desaparecidos: As vozes que a ditadura necessitava silenciar, em tradução livre), do jornalista Osvaldo Bayer, dava falta de 101 profissionais. Bayer chegou a afirmar, no prólogo da obra, que esta havia sido “a maior tragédia do jornalismo argentino.”

Em 2016, o número já havia chegado a 171 casos, de acordo com o Registro Unificado. Agora, em nova atualização, são reconhecidos 223 desaparecidos.

A maior parte dos desaparecidos era de jovens jornalistas, que haviam tido atividades políticas e sindicalistas nos anos prévios ao golpe. Por isso, causavam preocupação a donos de jornais que apoiavam os militares. Bayer relembra a convivência com os profissionais. “Estes jovens jornalistas converteram as redações em ágoras de sonhos e aspirações. Pensavam que era possível terminar com a fome da América Latina, organizar comunitariamente a selva e a favela.”

Reprodução/Espacio Memória
Número de jornalistas desparecidos na Argentina durante ditadura chegou a 223, diz relatório

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