Opera Mundi recebe prêmio em Porto Alegre por série de reportagens sobre Scania e ditadura
Matérias premiadas de Eduardo Reina e Maria Angélica Ferrasoli revelam colaboração da montadora sueca com o regime militar brasileiro
Jornalistas de todo o Brasil e Uruguai estiveram presentes na cerimônia de entrega do 42º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo, em Porto Alegre. O evento marcou o Dia Internacional dos Direitos Humanos com o reconhecimento de 62 trabalhos comprometidos com a justiça social e com a cidadania. A série de reportagens especiais sobre a Scania e a ditadura militar brasileira, dos jornalistas Eduardo Reina e Maria Angélica Ferrasoli, conquistou o segundo lugar na categoria Online.
Publicada em Opera Mundi, a série premiada é composta por três reportagens que revelam como a fabricante de automóveis sueca colaborou com o regime militar que comandou o Brasil de 1964 a 1985. A estreita relação empresa/militares resultou em espionagens internas e perseguições contra funcionários.
Leia a série completa:
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Reina recebeu a premiação das mãos de Maíra Brum Rieck, do Instituto APPOA, idealizadora e coordenadora do Museu das Memórias (In)Possíveis de Porto Alegre.

Jornalista Eduardo Reina recebeu prêmio em Porto Alegre
Diogo Fernandes/OABRS
As histórias contadas nas reportagens que integram a série premiada fazem parte do livro Repressão sociedade anônima – Banqueiros, fabricantes de veículos e metalúrgicas na repressão aos trabalhadores na ditadura militar, de Reina e Ferrasoli. O livro será lançado pela Alameda Casa Editorial no início de 2026.
Jair Krische, fundador e presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, destacou a importância e a necessidade do Brasil enfrentar o passado recente. “Costumo dizer que o único antídoto contra o autoritarismo é a memória. Esse prêmio é considerado pelos jornalistas o nosso Oscar, pela seriedade com que ele é julgado e conferido”, disse.
Participaram da 42ª edição do Prêmio aproximadamente 300 reportagens produzidas em todo território brasileiro e também no Uruguai, o que reafirma a relevância da premiação no cenário sul-americano.
O presidente da OAB/RS e da Comissão de Direitos Humanos Sobral Pinto, Leonardo Lamachia, ressaltou em seu discurso na abertura da premiação a correlação intrínseca entre o respeito às instituições e a vigência da democracia. “Não há democracia quando se atenta contra as instituições, mas também não há democracia quando as instituições atentam contra a Constituição. Não há caminho para uma sociedade ter paz, prosperidade e desenvolvimento que não seja o da democracia, do voto direto, secreto, do respeito às instituições, do respeito ao devido processo legal e, em especial, do respeito à advocacia”, afirmou Lamachia, reforçando que atentar contra a classe e suas prerrogativas é ferir o próprio Estado de Direito.
O prêmio foi instituído pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH) em 1984, em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil – RS (OAB-RS). Desde então, a cada edição anual e de forma ininterrupta, o Prêmio estimula o trabalho dos profissionais de jornalismo na denúncia de violações, pela observância e defesa dos direitos humanos nas sociedades da América do Sul marcadas por enorme desigualdade entre as pessoas e pela deficitária ação de Estado.
A Regional Latino Americana da União Internacional dos Trabalhadores da Alimentação (Rel UITA), a Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio Grande do Sul (ARFOC-RS) e a Caixa de Assistência dos Advogados – RS (CAARS) também apoiam o Prêmio.
Esta é mais uma conquista das reportagens de Opera Mundi no Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo. Em 2024, na 41ª edição, a investigação especial Terrorismo na Itália, ditadura no Brasil: documentos ligam extinta Varig com loja maçônica neofascista, assinada por Janaina Cesar e Reina, ficou em terceiro lugar na categoria reportagem.
























