Quinta-feira, 16 de abril de 2026
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Em uma decisão anunciada nesta terça-feira (07/04), o tribunal australiano rejeitou o último recurso apresentado pela defesa de Adriana Elcira Rivas, de 72 anos, para tentar impedir sua extradição para o Chile.

A sentença concluiu o último trâmite antes do envio de Rivas ao seu país natal, onde ela é acusada de participar do sequestro, interrogatório e desaparecimento de sete pessoas durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), como ex-agente do Departamento Nacional de Inteligência (DINA), a polícia secreta que atuou nos primeiros anos do regime – tempos depois, seria substituída pela Central Nacional de Informações (CNI).

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Rivas está detida em uma prisão de Sydney desde fevereiro de 2019, quando foi presa. A detenção também marcou o início do processo de extradição para o Chile.

Nos anos 70, ela foi membro da Força Aérea Chilena (FACh) e integrou a brigada de extermínio Lautaro, pertencente à DINA. Com os anos, Rivas escalou postos até se tornar secretária particular do chefe da polícia secreta, o general Manuel “El Mamo” Contreras.

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As acusações contra Rivas incluem sua participação no sequestro de Víctor Díaz, ex-subsecretário do Partido Comunista, e de outros seis opositores do regime de Pinochet, incluindo uma mulher que estava grávida.

No recurso judicial analisado nesta terça-feira, os advogados de defesa da chilena tentaram classificar as acusações contra ela como “crimes contra a humanidade”, baseado no uso desse termo por parte das autoridades chilenas que pediram a extradição.

Segundo esse argumento, a expressão invalidaria a denúncia, já que haveria uma divergência com a acusação feita pelo Ministério Público australiano, que a denunciou somente por “sequestro qualificado”.

No entanto, o juiz Michael Lee, do Tribunal Federal de Sydney, concluiu que o informe dos promotores australianos está correto ao enquadrar o caso de Rivas na categoria de “sequestro qualificado”.

Sobre a divergência com os documentos chilenos, Lee considerou que também está correta a caracterização como “crimes contra a humanidade”, e que “as informações enviadas pelo Chile não alteram a natureza dos crimes, pelo contrário, ajuda a contextualizar sua gravidade e esclarecer as devidas consequências legais”.

Cena do filme ‘O Pacto de Adriana’, sobre o envolvimento de Adriana Rivas com a polícia secreta de Pinochet
Reprodução vídeo

A ‘repressora que virou babá’

Em 1978, após trabalhar por cinco anos na polícia secreta do regime de pinochetista – e pouco antes do fim da DINA e sua substituição pela CNI –, Adriana Rivas decidiu abandonar o Chile. Ela se instalou em Sydney, na Austrália.

Não há provas de que Rivas atuou diretamente em sessões de tortura, mas sim documentos que demonstram sua participação em operativos de captura de opositores da ditadura chilena.

Porém, sua vida mudou completamente após a mudança para o país da Oceania, onde ela trabalhou passou a realizar trabalhos esporádicos como babá e empregada doméstica em casas da região de Bondi, no leste de Sydney, rotina que manteve por mais de 30 anos.

Esse período teve um intervalo em 2006, quando Rivas fez uma viagem ao Chile e acabou sendo presa, acusada pelos mesmos casos que motivaram sua extradição.

O intervalo durou menos de quatro anos: em 2010, enquanto estava em liberdade condicional, a ex-agente da DINA conseguiu fugir e retornar à Austrália, onde retomou seu trabalho como babá.

A história de Rivas foi contada no premiado documentário O Pacto de Adriana (2017), realizado por sua sobrinha, a cineasta Lissette Orozco.

No filme, a diretora narra sua jornada para desvendar os segredos de família relacionados à misteriosa tia Adriana – que ela conhecia como “Tia Chani”, quando pequena – e um passado que seus parentes relutavam em contar.

Com informações de The Guardian.