Quinta-feira, 15 de outubro de 2026
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Mafalda dá adeus a editora argentina após 55 anos de publicações

Ediciones de la Flor não deterá mais direitos autorais da obra de Quino na América do Sul, que agora serão da Penguin

Mafalda dá adeus a editora argentina após 55 anos de publicações
Mafalda será publicada pela multinacional Penguin Wikicommons

Mafalda, a emblemática personagem criada por Joaquín Salvador Lavado, o Quino, mudará de casa editorial. Após 55 anos publicada pela editora independente argentina Ediciones de la Flor, ela será editada, agora, pela multinacional Penguin Random House, informa o jornal El País.

Os herdeiros dos direitos autorais de Quino, falecido em 2020, anunciaram a mudança nesta segunda-feira (01/07). Segundo a reportagem, a decisão foi motivada pelas dificuldades de distribuição da editora argentina fora de Buenos Aires e pela capacidade da Penguin de oferecer um maior alcance comercial.

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A multinacional já publicava a obra de Quino na Espanha e no México e, agora, o selo Sudamericana — pertencente ao mesmo grupo — assumirá a edição no mercado argentino, com lançamento previsto para agosto.

Tristeza

Em nota oficial, a Ediciones de la Flor lamentou a decisão dos herdeiros. “Lamentamos que, por decisão de seus sobrinhos e herdeiros, não possamos continuar a cuidar de sua obra como fizemos desde que ele nos escolheu como sua casa, há mais de meio século. De qualquer forma, estamos certos de que a história manterá nossos nomes inextricavelmente ligados, como estiveram até agora”, declarou.

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Mafalda passa a ser publicada pela multinacional Penguin
Reprodução / Wikicommons

Ana María “Kuki” Miler, que dirige a editora argentina desde 2015, relatou ao El País que eles tentaram manter os direitos de Mafalda no país até o último momento, mas sem sucesso. “Na Argentina, os custos são muito altos em dólares. Toda Mafalda sempre foi vendida no exterior por cerca de US$ 50. Hoje, na Argentina, custa cerca de 90 mil pesos, o equivalente a cerca de US$ 80”, afirmou.

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“Estamos infinitamente tristes. Quino era o nosso autor icônico”, acrescentou. “Se ele estivesse vivo, isso não teria acontecido. Éramos amigos muito próximos, parte de uma família… Ele colocava o que sentia e pensava acima do dinheiro”, frisou. Ela também destacou que o autor “nunca quis publicar por uma grande editora”. Ele “tinha uma ideologia muito definida e era muito exigente com seus materiais”, frisou.

Mafalda

Mafalda apareceu pela primeira vez em setembro de 1964, no semanário Primera Plana, com suas preocupações sobre a humanidade e o estado do mundo. Em junho de 1973, Quino parou de desenhá-la, alegando que estava se repetindo. No entanto, as ácidas críticas da menina de seis anos — e seis décadas de existência — atravessaram fronteiras e gerações, conquistando leitores de todas as idades.

Em 2014, o Prêmio Príncipe de Astúrias homenageou o artista argentino, destacando a profundidade e o alcance universal de sua obra. Na época o júri afirmou que “as mensagens lúcidas de Quino permanecem relevantes por terem combinado sabiamente a simplicidade de seus desenhos com a profundidade de seu pensamento”, destaca El País.

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