Em comunicado difundido nesta sexta-feira (25/09) a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) revelou estar enfrentando dificuldades para obter acesso à conta @cnbbnacional, perfil oficial da entidade na plataforma X.
Segundo a nota, a CNBB teria entrado em contato com os representantes da plataforma no Brasil e “está realizando os procedimentos necessários para recuperar o acesso ao perfil”.
“As informações e comprovações solicitadas sobre a titularidade e a gestão da conta já foram encaminhadas”, acrescenta a entidade ligada à Igreja Católica.
A declaração, assinada pela Assessoria de Comunicação, da CNBB, não explica quando o problema foi detectado. A conta da entidade no X continua no ar, acessível, mas aparece sem foto de perfil, e sua última publicação foi na terça-feira (22/09).
O comunicado termina explicando que “enquanto a situação não for normalizada, orientamos que sejam considerados oficiais os demais canais de comunicação da CNBB (portal oficial, Instagram, Facebook, YouTube, TikTok e LinkedIn)”.
“Agradecemos a compreensão e reforçamos nosso compromisso com uma comunicação responsável, transparente e a serviço da Igreja no Brasil”, diz a mensagem, em sua conclusão.
O episódio acontece em meio a uma polêmica surgida nesta quinta-feira (24/09), a partir do comentário da jornalista Maria Cristina Fernandes durante um programa da GloboNews, no qual ela relata que setores da Igreja Católica estariam rechaçando a candidatura de Flávio Bolsonaro devido a uma ligação do representante da extrema direita com grupos evangélicos que promovem um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título e Padroeira do Brasil.
A declaração faz referência ao projeto de lei 2.623/2007, cujo texto defendia a alteração da Lei 6.802/1980 para substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. Também propunha trocar a expressão “culto público e oficial” por “homenagem oficial”.
É texto é de 2007, assinado pelo então deputado federal Victório Galli Filho, atualmente membro do PP de Mato Grosso, mas que à época era parlamentar pelo PMDB (atual MDB).

Diferentemente dos católicos, os evangélicos não praticam a devoção aos santos, pois interpretam o conceito de “santidade” como algo exclusivo a Deus e a Jesus Cristo – alguns setores reconhecem os santos como exemplos de fé e testemunhas da história cristã, mas não os consideram merecedores de orações ou devoções. O nível de repúdio aos grupos católicos que o fazem também varia de acordo com as diferentes correntes evangélicas.
O projeto de lei de Galli Filho – que também é pastor evangélico – terminou arquivado em agosto de 2008, após o deputado Átila Lira (PP-PI) recomendar sua rejeição, em relatório da Comissão de Educação e de Cultura que foi aprovado por unanimidade.
Victorio Galli Filho deixou de ser deputado, ao não ser eleito nem em 2018, nem em 2022. Contudo, ele mantém ligação com a família Bolsonaro.
Em fevereiro de 2019, já sem mandato na Câmara, foi nomeado assessor especial da Presidência pelo então presidente Jair Bolsonaro (2019-2023), pai de Flávio. Permaneceu no cargo por apenas quatro meses, sendo exonerado em junho de 2019.
Ainda assim, seus perfis nas redes exibem diferentes fotos suas ao lado do ex-presidente Bolsonaro, da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, e mais recentemente com o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro – uma dessas imagens é acompanhada de pedidos de voto para o candidato em Sinop, cidade do interior mato-grossense.