Terça-feira, 6 de outubro de 2026
Compartilhe:

“O governo se comprometerá a reconhecer o resultado certificado das eleições democráticas de 2026 no Brasil e a apoiar relações diplomáticas normais com qualquer candidato que seja livre e justamente escolhido pelo povo brasileiro?”. Esse foi o questionamento feito por três senadores democratas dos Estados Unidos ao secretário de Estado, Marco Rubio, em carta enviada nesta terça-feira (29/09).

Os parlamentares pediram uma resposta formal sobre o compromisso do governo de Donald Trump com o resultado das eleições brasileiras e sobre a atuação de Washington em relação aos aliados latino-americanos.

Vale ressaltar, que essa é a segunda carta enviada por parlamentares democratas a Rubio nos últimos dias para manifestar preocupação com as ações do governo Trump em relação à eleição presidencial brasileira, marcada para o próximo domingo (04/10).

Na semana passada, 30 deputados e o senador independente Bernie Sanders, de Vermont, também escreveram ao secretário de Estado para questionar as atitudes e as intenções do governo norte-americano. Sanders havia se encontrado recentemente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Nova York.

“As ações mais recentes da administração apontam para uma aparente tentativa de interferir e potencialmente minar as eleições gerais do Brasil em outubro”, afirma um trecho da carta adquirida pelo jornal Folha de S.Paulo.

Na conversa com Lula, Sanders questionou o presidente sobre a atuação do governo Trump em relação às eleições brasileiras. Segundo o relato, ouviu do petista que o governo brasileiro permanece “vigilante”.

As duas cartas citam como possíveis sinais de interferência o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil, atualmente em 37,5%, investigações comerciais e a recente visita do senador Flávio Bolsonaro à Casa Branca, onde se reuniu com Trump no Salão Oval.

Os parlamentares também mencionam a designação das facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, medida tomada após um pedido de Flávio Bolsonaro.

As manifestações ocorrem em meio ao aumento da atenção de setores do Partido Democrata sobre a eleição brasileira e sobre a atuação do governo Trump no país. Organizações da sociedade civil, como o Centro de Pesquisa de Política Econômica (CEPR, na sigla em inglês) e o Washington Brazil Office, também têm mantido interlocução com integrantes do Congresso americano.

A carta dos três senadores cita  Darren Beattie, assessor de Rubio para assuntos relacionados ao Brasil no Departamento de Estado. Segundo os parlamentares, Beattie mantém proximidade com figuras do movimento Make America Great Again (MAGA), como Stephen Miller e Matt Gaetz, além de ser próximo de Eduardo e Flávio Bolsonaro.

Senador Flávio Bolsonaro (à esq.), Donald Trump e os deputados Eduardo Bolsonaro (centro) e Alexandre Ramagem (à dir.) durante encontro na Casa Branca, nos Estados Unidos
Senador Flávio Bolsonaro (à esq.), Donald Trump e os deputados Eduardo Bolsonaro (centro) e Alexandre Ramagem (à dir.) durante encontro na Casa Branca, nos Estados Unidos
Reprodução Instagram

Beattie é citado

Os senadores fazem críticas diretas ao histórico político de Beattie. Na carta, afirmam que ele é um “conhecido extremista de extrema direita e supremacista branco” e sustentam que suas declarações públicas demonstrariam alinhamento ideológico com setores interessados em enfraquecer as instituições democráticas brasileiras e promover os interesses da extrema direita no país.

“Beattie, um conhecido extremista de extrema direita e supremacista branco, assumiu o cargo (de assessor para Brasil) com um histórico de declarações públicas que sinalizavam um compromisso ideológico explícito em minar as instituições democráticas do Brasil e promover os interesses da extrema-direita brasileira”, escreveram os senadores.

No início do ano, o visto brasileiro de Beattie foi revogado depois que ele afirmou que viajaria ao Brasil para reuniões com integrantes do governo. Formalmente, porém, dias antes de embarcar, ele havia solicitado à Justiça apenas autorização para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Naquele momento, Bolsonaro cumpria parte da pena de mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes, na Penitenciária da Papudinha, no Distrito Federal.

As duas cartas enviadas a Rubio refletem a preocupação de parlamentares democratas com a atuação do governo Trump diante da eleição brasileira. Os senadores agora cobram do secretário de Estado uma manifestação formal sobre o reconhecimento do resultado das urnas e sobre o compromisso dos Estados Unidos com relações diplomáticas normais com o governo que for escolhido pelos brasileiros.