O presidente brasileiro e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fez duras críticas a Flávio Bolsonaro (PL), ao afirmar que seu principal adversário no pleito, conforme consta nas pesquisas eleitorais, não tem qualificação política para exercer eventual cargo no Executivo. Segundo o mandatário, “a única coisa que ele tem é o anti-Lula” e o “anti-PT”.
“O que ele tem para oferecer? O passado dele é tenebroso. A única coisa que ele tem é o chamado anti-Lula. Isso é forte, com certeza. É o anti-PT, o anti-esquerda”, analisou. “Por quê? Por conta dos avanços sociais que a sociedade brasileira teve. Quando você consegue aprovar as cotas para os negros entrarem na universidade, não pensa que muitos brancos gostam disso”.
“Aquela famosa elite que defende a escravidão, que acha que até quase 14% do território indígena é muita terra para os indígenas, se esquecendo que eles tinham 100%. Nós é que tomamos 86% deles. Essa gente que não gosta que eu legalize terra de quilombola para eles ficarem na terra deles”, continuou. “Essa gente que não quer que eu coloque filha de empregada doméstica na universidade para ser médica, para ser arquiteta, para ser engenheira, para ser psicóloga, para ser cientista política, essa gente que não gosta de mim, mas eu vou continuar fazendo”.
Lula ainda fez referência a episódios polêmicos envolvendo Flávio e seu círculo familiar, criticando, sem mencionar nomes, a amizade com o dono responsável pelo maior escândalo de fraude bancária do Brasil – Daniel Vorcaro – e também a relação com milicianos. “Um senador da República que tem coragem de assinar uma petição defendendo o assassinato de uma criança de 5 anos de idade”, lembrou. “Eles criaram a quadrilha da Previdência Social. Nós desmontamos a quadrilha, tomamos 6 bilhões de pertences da quadrilha e pagamos 3 bilhões e meio a 5 milhões de aposentados. Eles pegaram um agiota e transformaram-no em banqueiro. Eu transformei o banqueiro dele num prisioneiro”.
A posição foi dada em entrevista ao Flow Podcast nesta quinta-feira (01/10), três dias antes do primeiro turno eleitoral, durante a qual proferiu duras críticas a Flávio e ainda o chamou de “vira-lata” e “traidor da pátria” por mandar “o irmão [Eduardo Bolsonaro] para lá [Estados Unidos] para falar mal do Brasil”, em referência ao tarifaço imposto pelo presidente norte-americano Donald Trump ao Brasil.
“Eu falo: ‘Trump, eu não quero guerra com você. Eu quero derrotar você na narrativa. Por isso eu já escrevi acho que três artigos para o New York Times, que eu quero conversar com o povo americano sobre ele. E é por isso que ele me trata com respeito”, afirmou Lula. “O Trump tem que saber que ele toma conta dos Estados Unidos, o Brasil eu que tomo conta”.
Na entrevista, a autoridade brasileira defendeu o legado de seus governos nas mais diversas áreas, incluindo educação, inclusão social e infraestrutura. Sustentou também a necessidade de uma reforma no poder judiciário após a eleição, ao comentar o envolvimento dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso Master.
Lula apontou ter cuidado ao abordar assuntos referentes à Corte, já que exerce papel de presidente da República “e o presidente não julga a Suprema Corte”, reforçando o cargo prevê respeito primordial à autonomia de cada poder. No entanto, defendeu que o escândalo seja investigado a fundo. “A coisa criou uma proporção tão grande que só tem uma saída: ser investigado. É deixar todo mundo nu. Não tem proteção do presidente da República, ao ministro da Suprema Corte, ao deputado, ao senador. É preciso investigar todo mundo”, afirmou.
“Tem que investigar André Mendonça, tem que investigar Alexandre de Moraes, tem que investigar todo mundo, André Rodrigues, todo mundo. Flávio Bolsonaro e por aí vai”, acrescentou.

Ao ser questionado sobre a decisão do governo de endurecer as medidas contra as apostas esportivas, Lula destacou que o contexto da disputa eleitoral teve influência em sua decisão, uma vez que se ele não acabasse com elas, o problema “jamais ia acabar”.
O presidente relatou ainda casos de pessoas endividadas dos quais tomou conhecimento, mencionando um comerciante que teria acumulado uma dívida de R$ 730 mil e uma pessoa que teria tentado tirar a própria vida três vezes.
“Eu tomei a decisão de acabar com essa peste. Porque está empobrecendo o povo brasileiro, endividando”, disse, destacando que enfrentará o lobby das bets, já que a medida provisória tem validade de vencimento. “Vai ter gente que vai tentar fazer de fora. Nós também porque a guerra é difícil, mas nós vamos brigar”.
O presidente brasileiro contou ter mantido recentemente conversas individuais com os chefes de Estado da China, Xi Jinping, da Rússia, Vladimir Putin, e dos Estados Unidos, Donald Trump, para cobrar das maiores lideranças mundiais, que integram o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), uma atuação diante das guerras no mundo.
“Para dizer para eles que eles estavam errados. Eles fazem parte do Conselho de Segurança da ONU e eles não estão fazendo p… nenhuma para acabar com as guerras”, criticou Lula.