Quarta-feira, 2 de setembro de 2026
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Um experimento realizado pela Anistia Internacional a partir de publicações de anúncios com informações falsas sobre eleições na plataforma social Facebook gerou um relatório que alerta para as falhas da empresa Meta em combater eficazmente a disseminação desse tipo de conteúdo, que pode influir no resultado do pleito marcado para o próximo dia 4 de outubro.

O experimento – cujo relatório foi publicado nesta terça-feira (25/08) no site da organização – consistiu em 15 anúncios publicados no Facebook, todos em português brasileiro, direcionados exclusivamente à população brasileira em idade para votar.

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Desses anúncios, 14 traziam desinformação sobre as eleições, e apenas um era considerado “neutro” – este último, segundo os realizadores do experimento, foi incluído para testar se Meta verifica a identidade de todo o conteúdo relacionado a processos eleitorais.

O objetivo, segundo a entidade, era avaliar como os sistemas de moderação de anúncios da plataforma lidavam com conteúdo relacionado às eleições.

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A Anistia Internacional assegura que seguiu a definição de “desinformação” defendida pela própria Meta na construção e análise dos anúncios.

Os 14 anúncios com desinformação foram elaborados para refletir três táticas frequentemente utilizadas por políticos e candidatos para apoiar práticas autoritárias: “deslegitimação eleitoral” (conteúdo destinado a minar a confiança nas eleições, nos sistemas de votação ou nos resultados eleitorais); “construção do inimigo” (retratar oponentes políticos e o judiciário como ameaças à nação ou atores ilegítimos); e “autoritarismo centrado na segurança” (apresentar a força, a intervenção militar ou o autoritarismo repressivo como respostas necessárias ao crime ou à desordem política).

Aprovados e ‘parcialmente rejeitados’

O resultado foi que o Facebook aprovou oito anúncios contendo desinformação, e mesmo os outros seis anúncios não foram explicitamente rejeitados, apesar de trazerem conteúdo falso segundo as próprias regras da plataforma. Curiosamente, o conteúdo considerado “neutro” ficou entre os que não foram aprovados.

Segundo os realizadores, dos oito anúncios com desinformação que foram aceitos, quatro focavam exclusivamente na questão da “deslegitimação do processo eleitoral”, dois se enquadravam na categoria de “autoritarismo focado em segurança” e incluíam desinformação defendendo a intervenção militar ou a abstenção eleitoral, e o conteúdo dos outros dois abrangia todas as três categorias.

Experimento indicou alerta sobre moderação de anúncios eleitorais feita pelo Facebook
PxHere

Os demais sete anúncios, incluindo o que era neutro, foram considerados “anúncios sobre questões sociais, eleições ou política”. Nesses casos, o Gerenciador de Anúncios do Facebook não os descartou totalmente, mas observou que era necessária a verificação da conta antes que pudessem ser publicados.

Os realizadores do experimentam destacam que os seis anúncios com informações falsas não foram descartados com base em seu conteúdo e, portanto, não forneciam nenhuma indicação de como eles teriam sido avaliados se a conta tivesse sido verificada.

Segundo Ummar Bashir, assessor sobre Inteligência Artificial e Direitos Humanos ligado à Anistia Internacional e investigador ligado ao experimento afirmou que “a investigação indica que os sistemas de moderação do Facebook podem não estar detectando de forma confiável os conteúdos com desinformação relacionado com as eleições no Brasil”,

“Apesar de o Facebook rechaçado sete dos 15 anúncios, não o fez especificamente por causa do conteúdo de desinformação eleitoral. Isso levanta sérias preocupações sobre se as medidas de proteção estão sendo aplicadas de forma consistente.”, acrescentou Bashir.