Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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O Brasil está promovendo uma série de iniciativas para erguer “uma barreira” e proteger seu processo eleitoral do risco de interferência dos Estados Unidos na votação. A afirmação é do New York Times que entrevistou mais de uma dúzia de autoridades eleitorais e do governo, além de diplomatas e agentes de inteligência, sobre as medidas que estão sendo tomadas.

O jornal norte-americano classifica a eleição brasileira como o maior teste para a estratégia política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na América Latina. E lembra que o pleito ocorre em um cenário de sete vitórias sucessivas de candidaturas alinhadas à Casa Branca, várias com o apoio explícito do republicano.

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NYT ressalta, no entanto, que no caso brasileiro não está claro se uma eventual tentativa dos Estados Unidos de favorecer Flávio Bolsonaro produziria o mesmo efeito. Segundo o jornal, uma intervenção externa poderia provocar reação contrária e ampliar o apoio ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição.

A reportagem recupera vários episódios que, apesar das negativas de Trump, indicam as pressões da sua administração sobre as eleições brasileiras. Entre eles a tentativa da Casa Branca de enviar uma delegação para investigar a integridade do sistema eleitoral, e o próprio uso de sanções e tarifas contra a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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O NYT menciona também as campanhas digitais orquestradas no exterior favorecendo o candidato do PL, como as projeções irreais da Polymarket, plataforma de apostas apoiada pela empresa de capital de risco de Donald Trump Jr.

NYT: Brasil monta barreira contra interferência norte-americana nas eleições
Daniel Torok / White House Flickr

Barreiras

Segundo o jornal, em reação a essas e outras iniciativas, as agências de inteligência brasileiras estão alertas à manipulação estrangeira, em particular nas redes sociais. Em paralelo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adotou novas regras contra a desinformação e solicitou ao Google e à Meta uma série de medidas para enfrentar conteúdos eleitorais enganosos.

A Justiça Eleitoral também ampliou iniciativas para reforçar a confiança nas urnas eletrônicas diante dos questionamentos promovidos pelos bolsonaristas dentro e fora do país. Partidos e especialistas em segurança foram convidados a testar os equipamentos, as auditorias aleatórias foram ampliadas e mais de 80 diplomatas participaram de um encontro promovido pelo TSE sobre o funcionamento do sistema eleitoral, relata a reportagem.

A preocupação com possíveis interferências também vem levando o Brasil a buscar respaldo internacional. Segundo três diplomatas estrangeiros de alto escalão ouvidos pelo jornal, representantes da União Europeia, Canadá, Japão, Austrália e outros países estão mantendo conversas informais sobre uma possível resposta conjunta depois das eleições.

Os diplomatas afirmaram que esses países provavelmente defenderão rapidamente a integridade do processo eleitoral, independentemente do vencedor. Além disso, organizações internacionais estão ampliando o número de observadores enviados ao Brasil. O Carter Center, organização independente sediada nos Estados Unidos, decidiu participar da observação eleitoral em uma mudança de última hora motivada, em parte, pelas preocupações com interferências, segundo outra fonte do jornal.

‘Quintal de ninguém’

NYT lembra que o secretário de Estado, Marco Rubio, também tem apresentado o Brasil como um país hostil aos interesses norte-americanos, aproximando-o, em seu discurso, de adversários de Washington como Cuba e Nicarágua. Frisa, ainda, que Lula vem reagindo publicamente contra todas as possibilidades de interferência.

“É melhor os norte-americanos não virem tentando influenciar nossas eleições. Trump deveria cuidar da vida do próprio país”, declarou neste mês, e reiterou durante seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, na semana passada, que “o Brasil não é o quintal de ninguém”.

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), também foi ouvido pelo jornal. “De onde quer que venha a ameaça, temos as ferramentas para nos defender. Se necessário, certamente haverá uma resposta enérgica”, afirmou. Ao comentar possíveis questionamentos norte-americanos sobre as eleições, o ministro ironizou: “com todo respeito, os Estados Unidos não têm lições a nos ensinar quando se trata de sistemas eleitorais”.

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