Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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O governo Trump tentou incluir nas negociações sobre o tarifaço aplicado conta o Brasil, em outubro de 2025, a exigência de que o governo brasileiro não prendesse e nem restringisse a participação no pleito de pessoas classificadas pelos Estados Unidos como ‘dissidentes políticos’. O encontro ocorreu um mês após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

A informação é do jornal O Estado de S. Paulo que revelou, nesta quinta-feira (17/09) o conteúdo de um documento de 21 pontos encaminhado por representantes norte-americanos à delegação brasileira que visitou Washington, à época, para negociar o tarifaço de 50% de Trump sobre os produtos brasileiros.

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“O Brasil se compromete a realizar eleições presidenciais livres e justas em 2026 e não deterá, prenderá nem limitará arbitrariamente, de qualquer outra forma, a participação de dissidentes políticos no processo eleitoral”, afirmava o texto apresentado pelos Estados Unidos.

A minuta não citava Jair Bolsonaro, mas diplomatas brasileiros ouvidos pelo jornal apontaram que a formulação estava diretamente ao contexto do julgamento do ex-presidente, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), um mês antes, pela tentativa de golpe de Estado.

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Em julho daquele ano, ao anunciar o tarifaço contra o Brasil, Trump relacionou publicamente a cobrança contra o Brasil à situação de Bolsonaro, classificando o processo contra o ex-presidente de “vergonha internacional” e “caça às bruxas” que deveria parar “imediatamente”.

Trump exigiu que Brasil não prendesse e permitisse participação de  ‘dissidentes políticos’ durante eleição de 2026, diz jornal
Ricardo Stuckert/ PR

Vieira rejeitou proposta

A lista norte-americana chegou por e-mail a pelo menos dois membros da delegação que acompanhava o chanceler Mauro Vieira. Antes dos encontros com representantes do governo Trump, o grupo analisou as condições propostas pelos Estados Unidos na residência oficial da Embaixada do Brasil em Washington.

Vieira rejeitou os termos apresentados pelos norte-americanos. De acordo com uma pessoa que participou da viagem e falou ao Estadão, o chanceler pediu que os Estados Unidos fossem informados de que o documento era “inaceitável”.

O chanceler também determinou que a minuta ficasse fora da pauta dos encontros oficiais daquele dia e afirmou que o texto “não era base para nada”. A orientação foi respeitada, segundo a apuração. Vieira posteriormente conversou a sós com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e participou de outra reunião com uma delegação maior, que incluía o representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, além de funcionários do Departamento de Estado e da Casa Branca.

As reuniões antecederam o primeiro encontro de trabalho entre Lula e Trump, marcado para dez dias depois, em Kuala Lumpur, na Malásia.

Exigências iam além do comércio

Quatro dos 21 pontos apresentados por Washington avançavam sobre questões político-institucionais brasileiras. Um deles era justamente a condição envolvendo a eleição presidencial e os chamados “dissidentes políticos”.

Outro procurava impedir que autoridades brasileiras aplicassem determinadas sanções a pessoas e companhias norte-americanas. “O Brasil não aplicará multas extraterritoriais, não imporá congelamento de ativos, não deterá, prenderá ou punirá de qualquer outra forma cidadãos americanos, residentes legais ou empresas americanas por conduta protegida pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA”, dizia o documento.

A minuta também buscava estabelecer garantias específicas para as plataformas digitais norte-americanas, exigindo que o Brasil assegurasse a essas empresas aviso prévio e possibilidade de contestação ou recurso diante de penalidades relacionadas ao conteúdo publicado nas redes sociais.

O quarto ponto dizia respeito às sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos. Washington pretendia obter do Brasil o compromisso de não “penalizar instituições financeiras brasileiras pelo cumprimento das sanções financeiras dos EUA”.

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