Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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Influenciadores ligados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estão divulgando anúncios pagos sobre o crescimento da candidatura de Flávio Bolsonaro no Brasil para apostas na Polymarket, bloqueada desde abril no Brasil. A informação é da Folha de S.Paulo.

As publicações na plataforma X são acompanhadas de gráficos da Polymarket, empresa do mercado de previsão na qual os usuários apostam dinheiro no resultado de eventos futuros, entre eles eleições.

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Segundo a reportagem, ao menos 11 contas estrangeiras no X publicaram, entre sexta-feira (18/09) e segunda-feira (21/09), anúncios sobre a candidatura bolsonarista na plataforma. A Folha destaca que abaixo das postagens aparece a indicação de “parceria paga”, sem informação do financiador da publicidade.

A legislação eleitoral brasileira proíbe que terceiros façam impulsionamento de propaganda em favor de candidatos. Também é proibida doações provenientes de entidades estrangeiras às campanhas no país.

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Reportagem do site norte-americano Politico, citada pela Folha, revelou que a Polymarket desembolsou pelo menos US$ 350 mil (cerca de R$ 1,8 milhão) para influenciadores e criadores de conteúdo entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026.

Perfis envolvidos

De acordo com Folha, as contas envolvidas na campanha se concentram em influenciadores alinhados a Trump e ao movimento Make America Great Again (MAGA) e perfis que adotam formato semelhante ao de veículos de notícias para tratar de temas internacionais.

“Flávio pode salvar o Brasil. Este é grande prêmio das Américas”, escreveu o ex-deputado republicano Matt Gaetz (Flórida), que tem 3,4 milhões de seguidores, em uma dessas postagens.

Gaetz chegou a ser indicado por Donald Trump para o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, mas desistiu da indicação em meio ao avanço de investigações sobre crimes sexuais, acusações que ele negou.

 

Outro perfil identificado pela Folha é da empresa UHN Plus Media Network Inc., que informa ser “movida” pela Polymarket e tem 1,2 milhão de seguidores. O vice-presidente da empresa é Javier Negre, que foi sócio de Fernando Cerimedo no La Derecha Diario.

Ex-consultor de Javier Milei e amigo de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Cerimedo está preso na Bolívia, acusado de tentativa de homocídio de sua então companheira Nadia Beller. À Folha, Beller afirmou que Cerimedo, que atuou na eleição de 2022, disse que trabalharia pela eleição de Flávio Bolsonaro.

O influenciador norte-americano George Behizy, que possui 639 mil seguidores no X, também participa das campanhas pagas. Behizy já difundiu alegações falsas sobre fraudes nas eleições norte-americanas e, neste domingo, publicou um anúncio no qual afirmou que “tudo está prestes a mudar no hemisfério Ocidental”.

Trumpistas divulgam anúncios pagos a favor de Flávio Bolsonaro e de empresa de apostas
Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro

Polymarket e Rockbridge

Donald Trump Jr., filho do presidente norte-americano, atua como conselheiro da Polymarket e sua empresa, 1789 Capital, investiu aproximadamente US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,5 bilhões) na empresa. Ela foi fundada por Shayne Coplan que, após a posse de Trump, participou de uma reunião da Rockbridge.

Em 12 de maio deste ano, Chris Applegate, assessor de Vance e responsável por controlar a rede de doadores ligada ao trumpismo, registrou o braço brasileiro da empresa no Estado de Wyoming, nos Estados Unidos. Segundo reportagem do site Amado Mundo, o empresário Pedro Sang, articulador da Rockbridge no Brasil, foi o responsável pela montagem da estrutura física do comitê de Flávio Bolsonaro em São Paulo.

Diante das suspeitas de eventual financiamento estrangeiro da campanha de Flávio Bolsonaro, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu uma investigação ao Supremo Tribunal Federal (STF).

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