Influenciadores ligados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estão divulgando anúncios pagos sobre o crescimento da candidatura de Flávio Bolsonaro no Brasil para apostas na Polymarket, bloqueada desde abril no Brasil. A informação é da Folha de S.Paulo.
As publicações na plataforma X são acompanhadas de gráficos da Polymarket, empresa do mercado de previsão na qual os usuários apostam dinheiro no resultado de eventos futuros, entre eles eleições.
Segundo a reportagem, ao menos 11 contas estrangeiras no X publicaram, entre sexta-feira (18/09) e segunda-feira (21/09), anúncios sobre a candidatura bolsonarista na plataforma. A Folha destaca que abaixo das postagens aparece a indicação de “parceria paga”, sem informação do financiador da publicidade.
A legislação eleitoral brasileira proíbe que terceiros façam impulsionamento de propaganda em favor de candidatos. Também é proibida doações provenientes de entidades estrangeiras às campanhas no país.
Reportagem do site norte-americano Politico, citada pela Folha, revelou que a Polymarket desembolsou pelo menos US$ 350 mil (cerca de R$ 1,8 milhão) para influenciadores e criadores de conteúdo entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026.
De acordo com Folha, as contas envolvidas na campanha se concentram em influenciadores alinhados a Trump e ao movimento Make America Great Again (MAGA) e perfis que adotam formato semelhante ao de veículos de notícias para tratar de temas internacionais.
“Flávio pode salvar o Brasil. Este é grande prêmio das Américas”, escreveu o ex-deputado republicano Matt Gaetz (Flórida), que tem 3,4 milhões de seguidores, em uma dessas postagens.
Gaetz chegou a ser indicado por Donald Trump para o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, mas desistiu da indicação em meio ao avanço de investigações sobre crimes sexuais, acusações que ele negou.
The likelihood of Flávio Bolsonaro becoming the next President of Brazil is skyrocketing on Polymarket.com.
It has jumped from 21% in July to 58% today.
If he wins, all of South America apart from Venezuela and Uruguay will be governed by conservatives pic.twitter.com/TZuLkykdkE
— Visegrád 24 (@visegrad24) September 21, 2026
Outro perfil identificado pela Folha é da empresa UHN Plus Media Network Inc., que informa ser “movida” pela Polymarket e tem 1,2 milhão de seguidores. O vice-presidente da empresa é Javier Negre, que foi sócio de Fernando Cerimedo no La Derecha Diario.
Ex-consultor de Javier Milei e amigo de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Cerimedo está preso na Bolívia, acusado de tentativa de homocídio de sua então companheira Nadia Beller. À Folha, Beller afirmou que Cerimedo, que atuou na eleição de 2022, disse que trabalharia pela eleição de Flávio Bolsonaro.
O influenciador norte-americano George Behizy, que possui 639 mil seguidores no X, também participa das campanhas pagas. Behizy já difundiu alegações falsas sobre fraudes nas eleições norte-americanas e, neste domingo, publicou um anúncio no qual afirmou que “tudo está prestes a mudar no hemisfério Ocidental”.

Donald Trump Jr., filho do presidente norte-americano, atua como conselheiro da Polymarket e sua empresa, 1789 Capital, investiu aproximadamente US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,5 bilhões) na empresa. Ela foi fundada por Shayne Coplan que, após a posse de Trump, participou de uma reunião da Rockbridge.
Em 12 de maio deste ano, Chris Applegate, assessor de Vance e responsável por controlar a rede de doadores ligada ao trumpismo, registrou o braço brasileiro da empresa no Estado de Wyoming, nos Estados Unidos. Segundo reportagem do site Amado Mundo, o empresário Pedro Sang, articulador da Rockbridge no Brasil, foi o responsável pela montagem da estrutura física do comitê de Flávio Bolsonaro em São Paulo.
Diante das suspeitas de eventual financiamento estrangeiro da campanha de Flávio Bolsonaro, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu uma investigação ao Supremo Tribunal Federal (STF).