Bolsonaro: Se Fernández 'criar problema na Argentina', Brasil deixa Mercosul

Fernández, que tem como vice a ex-presidente Cristina Kirchner, recebeu 47% dos votos nas eleições primárias realizadas no último domingo

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira (16/08) que se o candidato da oposição, Alberto Fernández, favorito para vencer as eleições presidenciais na Argentina, "criar problema" no país vizinho, o Brasil vai sair do Mercosul.

A declaração do presidente vem após o ministro da Economia, Paulo Guedes, cogitar a saída brasileira do bloco caso os kirchneristas voltem ao poder e apresentem resistência à abertura econômica. 

"O atual candidato que está à frente na Argentina, ele já esteve vistando o [ex-presidente] Lula, já falou que é uma injustiça ele estar preso, já falou que quer rever o Mercosul. Então o Paulo Guedes, perfeitamente afinado comigo, falou que se criar problema, o Brasil sai do Mercosul, e está avalizado", disse Bolsonaro ao deixar o Palácio da Alvorada nesta manhã.

Fernández, que tem como vice a ex-presidente Cristina Kirchner, recebeu 47% dos votos nas eleições primárias realizadas no último domingo (11/08). O atual presidente, Mauricio Macri, ficou com 32%.

O presidente brasileiro disse que está disposto a conversar Fernández, mas que o argentino "vai ter que dar o sinal". "Por causa do viés ideológico, o meu sentimento [antes de ser eleito] é que tinha que acabar com o Mercosul. Lógico, nós chegamos, afastamos o viés ideológico, o contato foi excelente com Macri, excelente com o Marito [presidente do Paraguai, Mario Benitez], o do Uruguai [Tabaré Vázquez], apesar de ser um pouco da esquerda, deu pra conversar", disse Bolsonaro.

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Presidente brasileiro disse que está disposto a conversar Fernández, mas que o argentino "vai ter que dar o sinal"

Entretanto, o mandatário espera a reeleição de Maurício Macri. "Olha a Argentina aqui, o que aconteceu com a bolsa, com o dólar, com as taxas de juros. O mercado deu sinal que não vai perdoar a esquerda na Argentina novamente. Os empresários não vão investir mais enquanto não resolver a situação política lá", disse.

Na segunda-feira (12/08), após a derrota de Macri nas PASO, os mercados se "vingaram" do presidente argentino e a crise econômica no país se agravou. O dólar disparou e chegou a superar os $60 pesos, registrando um aumento de mais de 30% com relação à semana anterior ao pleito. Por sua vez, a bolsa de valores caiu 37,93%, enquanto o Banco Central da Argentina aumentou a taxa de juros para 74%.

*Com Agência Brasil

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