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Oposição se recusa a aceitar vitória de Evo Morales e Bolívia vive noite de ataques e violência

Incêndios criminosos e protestos violentos suspendem apuração em diversos departamentos

A recusa do candidato oposicionista Carlos Mesa, do Comunidade Ciudadana, em aceitar os resultados eleitorais, que apontam para uma provável vitória de Evo Morales no primeiro turno nas eleições do último domingo, resultou em violência em pelos menos nove cidades bolivianas nesta noite. Em Potosí, fogo foi ateado ao edifício do Tribunal Eleitoral Departamental. Também foram incendiados escritórios da apuração eleitoral em Sucre e Tarija.

Segundo relatos do jornal La Razón, duas pessoas pularam do segundo andar do edifício do TED, para fugir das chamas. Elas não teriam sido atendidas pelos apoiadores de Mesa que incendiaram o local. Em Santa Cruz de La Sierra, foi convocada uma greve geral a partir das 12h desta terça-feira (22/10).

Na noite de ontem, segundo dados da apuração TREP (contabilização de votos a partir dos boletins de urnas), realizada pelo Tribunal Supremo Eleitoral, Evo Morales alcançou mais de dez pontos percentuais de vantagem sobre Carlos Mesa, com pouco mais de 95% dos votos contabilizados. Com 95,23% dos votos contados, Evo tinha 46,86% dos votos, e Mesa, 36,72%. Como os votos a serem apurados estão, em sua maioria, em regiões de amplo domínio do candidato do MAS, a vitória em primeiro turno de Evo seria praticamente irreversível. Os episódios de violência levaram à suspensão temporária da apuração nos departamentos de La Paz, Oruro, Potosí, Chuquisaca e Tarija.


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De acordo com o comandante da polícia departamental de Tarija, o coronel Miguel Ángel Prieto, "uma turba violenta do partido Comunidade Cidadã entrou em um dos prédios [do TED], saqueou o material e o queimou em via pública".

Em La Paz também houve confrontos entre seguidores de Evo, do MAS (Movimento ao Socialismo) e Carlos Mesa. Houve uma tentativa frustrada de invasão do hotel Real Plaza, em que o Tribunal Supremo Eleitoral realiza a contagem dos votos. Também há registros em outras regiões da cidade.

Redrodução
Prédio do Tribunal Departamental de Potosí em chamas

O ministro de governo, Carlos Romero, responsabilizou o candidato Carlos Mesa pelos episódios de violência. "Mesa, de maneira recorrente, está chamando à violência e à confrontação. Queremos dizer-lhe que aqueles que chamam a violência será responsabilizado pela violência".

No departamento de Oruro, um escritório do MAS foi queimado e a polícia teve de usar bombas de gás para dispersar manifestantes que impediam funcionários do governo de deixar o trabalho. Em Sucre, pelo menos dez veículos foram queimados.

Em Cochabamba, a polícia também precisou intervir para impedir a tomada de edifícios públicos. Também houve protestos nas capitais dos departamentos de Trinidad e Cobija.

Em Santa Cruz, tradicional reduto oposicionista, Mesa acusou o Tribunal Supremo Eleitoral de fraude. “Isso é uma vergonha, uma manipulação do TSE, que fez uma fraude. Fraude, fraude, fraude!", gritou. Na manhã de segunda-feira, Mesa convocou protestos em todos os TDEs e no TSE. À noite, afirmou não reconhecer o resultado. Sem elementos concretos, a Organização dos Estados Americanos (OEA) criticou o TSE e a "mudança drástica" nos resultados das urnas.

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