Morales pede suspensão de protestos na Bolívia até fim de auditoria eleitoral da OEA

Em La Paz, enfrentamentos entre manifestantes isolados e forças de segurança, após a realização de uma marcha pacífica, deixaram ao menos dois feridos

O presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu na noite desta quinta (31/10) que os manifestantes suspendam suas mobilizações por conta dos resultados das eleições de outubro até que a Organização dos Estados Americanos (OEA) termine a auditoria no processo - o que deve terminar em duas semanas.

“Peço àqueles que estão na paralisação e nos bloqueios a suspender suas mobilizações até que a OEA e os delegados de três países [México, Paraguai e Espanha] deem seu informe correspondente. (...) Não temos nenhum medo, porque nunca fizemos fraude”, disse.

As manifestações na Bolívia - convocadas pela oposição após a vitória de Morales no primeiro turno do pleito de 20 de outubro - já deixaram ao menos dois mortos.

Nesta quinta, manifestantes reunidos em várias cidades do país pediram a renúncia de Morales e a convocação de uma nova eleição - sem a participação do atual presidente, nem do vice, Álvaro García Linera, nem do opositor Carlos Mesa, segundo colocado no pleito.


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Em La Paz, enfrentamentos entre manifestantes isolados e forças de segurança, após a realização de uma marcha pacífica, deixaram ao menos dois feridos. De acordo com o jornal El Deber, houve também duas prisões.

ABI
Morales pediu que manifestantes suspendam protestos até fim de auditoria

Na semana passada, García Linera acusou a oposição de querer confronto e violência.  "Carlos Mesa perde e não reconhece sua derrota e o que ele faz é promover a violência, rejeitar o que a Organização dos Estados Americanos propôs, fazer uma auditoria. Agora ele aposta no confronto e na violência, ele está gerando sofrimento", disse.

Para o vice-presidente, Mesa se recusa a apoiar a auditoria da OEA porque assim confirmaria que não ocorreu nenhum tipo de irregularidade no processo eleitoral. Linera ainda afirmou que, por não aceitar a derrota, Mesa pede "mobilização violenta". 

"Lamentamos essa atitude dos maus perdedores (...) que estão apostando em violência, confronto e geração de enfrentamentos entre bolivianos, porque a única coisa que eles estão causando é sofrimento e discriminação de pessoas humildes", disse.

Na Bolívia, não é necessário obter 50% + 1 dos votos para se vencer no primeiro turno. Se o líder obtiver mais de 40% e tiver uma diferença de ao menos dez pontos percentuais em relação ao segundo colocado, a eleição termina. A diferença entre Morales e Mesa terminou em 10,57 p.p. - 648.439 votos.

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