A seleção da Irlanda venceu Israel por 3 a 0 neste domingo (27/09), pela Liga das Nações da UEFA, em um confronto marcado por manifestações pró-Palestina dos jogadores irlandeses. Com braçadeiras pretas nos braços, os atletas abaixaram a cabeça durante o hino de Israel e não cumprimentaram os adversários antes da partida, disputada em Debrecen, na Hungria.
A delegação da Federação Irlandesa de Futebol (FAI), incluindo seus dirigentes, acompanhou o gesto. A ausência do tradicional aperto de mãos havia sido comunicada pela FAI à delegação de Israel e aceita pela UEFA. O técnico Heimir Hallgrímsson não apertou a mão do treinador da seleção de Israel, Ran Ben Simon.
O capitão irlandês, Dara O’Shea, cumprimentou a equipe de arbitragem, mas não o capitão israelense, Manor Solomon. Ele também anunciou que doaria todo o dinheiro recebido pela partida para ajudar o povo palestino em Gaza.
Debrecen foi escolhida por Israel como sede da partida diante da impossibilidade de receber os jogos, o confronto ocorreu no Estádio Nagyerdei, diante de arquibancadas vazias, com cerca de 100 torcedores israelenses, além de um pequeno grupo de irlandeses.
Um dia antes da partida, o goleiro Gavin Bazunu comunicou que não enfrentaria Israel, por motivos morais. “Há poucas vezes na vida em que temos a oportunidade de defender algo maior, e acredito firmemente que esta é uma delas”, declarou.
O goleiro afirmou ainda que considerava que “seria errado participar dos próximos jogos contra Israel”, o que levou o restante do time a discutir se deveria entrar em campo. Houve uma votação interna antes da partida e, segundo a FAI, uma “maioria significativa” optou por jogar. Bazunu permaneceu no hotel.
O debate ocorre em meio à campanha Irish Sport for Palestine, com a assinatura de mais de 160 esportistas que defendem que a Irlanda não dispute os confrontos. Eles afirmam que Israel violou os estatutos da UEFA e da FIFA ao permitir que equipes jogassem em território palestino ocupado.

Na próxima quarta-feira (30/09), representantes da FAI devem comparecer ao comitê de esportes do Parlamento irlandês, para discutir a questão. Em paralelo, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, criticou a seleção irlandesa de futebol, acusando a Irlanda de estar “do lado errado da história”.
Os torcedores israelenses entoaram cânticos em apoio às Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) durante a partida. “Sim, perdemos no futebol. Mas onde não perdemos? Nas IDF”, afirmaram. Eles também foram acusados de racismo e de dirigir sons de macaco a Adam Idah, autor do segundo gol irlandês e filho de pai nigeriano e mãe irlandesa.
Jayson Molumby chamou a atenção da arbitragem para os gritos vindos das arquibancadas durante a partida. A Federação Irlandesa levou a denúncia à UEFA. A entidade europeia reconheceu posteriormente a acusação, mas informou que não abriria uma investigação porque o protocolo estabelecido para casos de racismo não teria sido seguido durante o jogo.
Irlanda e Israel voltam a se enfrentar no próximo domingo (04/10), em Bačka Topola, na Sérvia. Bazunu já anunciou que não irá participar.