Terça-feira, 23 de junho de 2026
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Eleito o melhor árbitro do continente africano, o somali Omar Abdulkadir Artan foi retirado do quadro de árbitros da Copa do Mundo de 2026 após ter sido impedido de entrar nos Estados Unidos, informou a Federação Internacional de Futebol (FIFA) nesta segunda-feira (08/06). Ao The New York Times (NYT), Artan disse que “acha que eles têm um problema com o meu país“, acrescentando que é “apenas um árbitro tentando realizar meu sonho, o maior sonho da minha vida, que é vir à Copa do Mundo.”

Um alto funcionário do Ministério da Juventude e do Esporte da Somália confirmou à BBC a recusa de entrada e afirmou que Artan estava viajando com documentos válidos. Outro funcionário da embaixada da Somália em Nairóbi também disse ao veículo britânico que o passaporte diplomático do árbitro havia sido emitido especificamente para facilitar sua viagem após dificuldades anteriores com o visto.

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Segundo o NYT, Artan voou para o Aeroporto Internacional de Miami no sábado, poucos dias antes do primeiro jogo do torneio, marcado para quinta-feira, mas foi impedido de entrar nos EUA por agentes da fronteira, que o levaram para um canto e o interrogaram em uma pequena sala durante a noite.

“Eu tinha a documentação correta e tudo mais. Tinha o visto certo”, disse o árbitro ao jornal norte-americano, acrescentando que também apresentou documentos da FIFA, bem como fotografias de sua carreira de mais de uma década como árbitro profissional. Os agentes de fronteira também verificaram o material online que detalhou sua carreira, afirmou ele.

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Árbitro somali Omar Abdulkadir Artan
Foto: omar_artan / Instagram

A reportagem do NYT relatou que a entrevista de imigração terminou após 11 horas e que, em seguida, Artan foi levado para uma cela separada, onde permaneceu detido por mais algumas horas antes de ser colocado em um voo de volta para Istambul. Ele afirmou que as autoridades não lhe deram nenhuma justificativa para a recusa de entrada.

A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA afirmou em comunicado que as decisões são tomadas caso a caso e não forneceu detalhes sobre o motivo pelo qual a entrada foi negada.

“O viajante foi submetido a uma inspeção adicional, parte rotineira do processo de inspeção da CBP, quando os agentes precisam verificar informações ou determinar a admissibilidade”, diz o comunicado. “Após a inspeção, o viajante, um árbitro da Copa do Mundo da FIFA, foi considerado inadmissível devido a preocupações com a verificação de antecedentes e teve sua entrada negada.”

Em declarações à BBC World Service, Andrew Giuliani, que lidera a Força-Tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo, disse: “Embora eu não possa entrar em detalhes sobre a questão da desaprovação, posso afirmar que foi a decisão correta da alfândega e da patrulha de fronteira, e eu a apoio”.

Em resposta, a Federação Somali de Futebol (SFF) entrou em contato com a FIFA solicitando esclarecimentos urgentes.

No quadro da FIFA desde 2018, Artan atua na liga da Somália e foi eleito Árbitro do Ano pela Confederação Africana de Futebol (CAF) em 2025. Ele seria o primeiro árbitro somali a apitar jogos de Copa do Mundo. Aos 34 anos, estava entre os 52 árbitros selecionados para trabalhar na edição deste ano do torneio, organizada em conjunto por Canadá, México e Estados Unidos. Ao jornal ele também afirmou que vinha se preparando para o campeonato há quatro anos, participando de cursos com a FIFA no Catar e nos Emirados Árabes Unidos.

“A Fifa pode confirmar que o oficial de arbitragem Omar Abdulkadir Artan não poderá treinar nem atuar na Copa do Mundo 2026 após ter sua entrada nos Estados Unidos negada. A FIFA não se envolve nos processos de imigração dos países sedes, incluindo concessões de vistos, e foi informada pelas autoridades que a situação do Sr. Artan não será alterada neste momento”, afirmou a federação.