FIFA nega infração e inocenta árbitro de vídeo por suposto gesto racista
Australiano Shaun Evans reproduziu sigla supremacista durante transmissão oficial da Copa; decisão contrasta com exclusão de juiz da Somália acusado de suposto envolvimento com ‘terrorismo’
A Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) anunciou nesta terça-feira (16/06) que não haverá nenhuma punição ao árbitro australiano Shaun Evans, acusado de ter feito um suposto gesto supremacista durante uma transmissão oficial da Copa do Mundo de 2026.
A denúncia contra Evans tem a ver com a partida entre Alemanha e Curaçao, no último domingo (14/06), na qual o australiano atuou como árbitro de vídeo.
Durante a transmissão, no momento em que foram apresentados os profissionais que trabalhavam no sistema VAR, Evans fez um gesto com os dedos identificado como “apito de cachorro” de grupos supremacistas brancos.
A cena foi denunciada à entidade máxima do futebol horas depois do ocorrido, por iniciativa da organização Fare Network, que trabalha na luta contra a discriminação no futebol, cujo parece afirma que “Evans manteve o os dedos da mão direita abaixo da cintura, com os dedos reproduzindo a sigla WP, em referência a ‘white power’ (poder branco)”.
O documento com a denúncia também aponta grupos neonazistas e supremacistas brancos que usam esse tipo de gestual como uma espécie de símbolo de identificação.
No entanto, a FIFA afirma que analisou as imagens e não encontrou evidências de violação de seu Código Disciplinar, e considerou que não há indícios suficientes para apontar que o gesto de Evans teria conotações racistas.

Gesto feito por Shaun Evans durante transmissão da partida Alemanha x Curaçao
Reprodução vídeo
A decisão foi criticada pela própria Fare Networks e por outras entidades que atuam na luta contra a discriminação nos esportes.
O principal argumento para criticar a impunidade no caso do árbitro australiano foi a comparação com o caso que envolveu outro árbitro: a proibição a Omar Artan, da Somália, que foi impedido de entrar no território dos Estados Unidos, por suspeita de envolvimento com organizações terroristas – situação que também foi repudiada devido à falta de provas para sustentar tal acusação.
























