Após ataque na Venezuela, Trump ameaça ações em outros países
A bordo do Air Force One, presidente dos EUA citou considerar operações contra Colômbia, México e Irã; mencionando 'fragilidade' de Cuba e anexação na Groenlândia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliou neste domingo (04/01) o leque de suas ameaças contra a soberania dos países, no dia seguinte à operação militar na Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores.
Em conversas com jornalistas a bordo do Air Force One, ele disse considerar operações contra a Colômbia, México e Irã; mencionou a anexação da Groelândia e disse que em Cuba, não precisaria de ações, porque a Ilha já estaria fragilizada.
Ao ser questionado se sua administração poderia realizar uma ação semelhante à da Venezuela contra a Colômbia, Trump respondeu de forma direta: “parece bom para mim.” Ele acusou o presidente Gustavo Petro de envolvimento com o narcotráfico e disse que a Colômbia estaria sendo “governada por um homem doente que gosta de fabricar cocaína e vendê-la para os Estados Unidos.”
Em seguida, reforçou o tom de ameaça: “ele não vai continuar fazendo isso por muito tempo”. Trump também afirmou que o país abriga “fábricas de cocaína e fábricas de cocaína”, em referência às rotas de tráfico que cruzam o território colombiano.

Após ataque na Venezuela, Trump ameaça ações em outros países
Daniel Torok / The White House
O presidente colombiano Gustavo Petro respondeu às ameaças. Em sua conta no X, escreveu: “pare de me difamar, Sr. Trump”, ressaltando que em mais de meio século de vida política não existe nenhum registro que o vincule ao tráfico de drogas.
Petro afirmou trata-se de uma ameaça inaceitável e afirmou que “não é assim que se ameaça um presidente latino-americano que emergiu da luta armada e, posteriormente, da luta pela paz do povo colombiano.” Ele também descreveu a captura de Maduro como um sequestro e classificou a operação dos Estados Unidos como “aberrante.”
México e Cuba
As ameaças de Trump também incluíram o México e Cuba. Ele disse que as drogas estavam “entrando em massa” pelo México e que “vamos ter que fazer algo”, alegando que os cartéis mexicanos eram “muito fortes.”
Sobre Cuba, o presidente norte-americano sugeriu que não seria necessária uma intervenção militar direta porque a Ilha estaria fragilizada. “Não acho que precisamos de nenhuma ação”, disse. “Parece que está acontecendo.” E acrescentou: “não sei se eles vão resistir, mas Cuba agora não tem renda. Eles receberam toda a renda da Venezuela, do petróleo venezuelano.”
As declarações reforçaram comentários feitos mais cedo pelo secretário de Estado, Marco Rubio, que, ao ser questionado se Cuba seria o próximo alvo do governo, afirmou: “o governo cubano é um enorme problema” e, pressionado, acrescentou: “eles estão em grandes apuros, sim.”
Irã
Em relação ao Irã, em meio a protestos internos no país, o presidente norte-americano disse: “se começarem a matar pessoas como fizeram no passado, acho que vão ser muito atingidos pelos Estados Unidos.”
Durante uma conferência de imprensa nesta segunda-feira (05/01), o porta-voz iraniano do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmaeil Baqaei, condenou o ataque norte-americano contra a Venezuela. Ele declarou que o Irã “não está ligado a indivíduos, mas a princípios”, e afirmou que “o sequestro do presidente de um país não é motivo de orgulho nem é legal”.
“O presidente da Venezuela deve ser libertado”, enfatizou Baqaei, reiterando que o precedente estabelecido terá repercussões para toda a comunidade internacional.
Groenlândia
Trump também voltou a defender a incorporação da Groenlândia aos Estados Unidos, reiterando seu interesse no território dinamarquês semiautônomo por razões estratégicas. “Precisamos da Groenlândia do ponto de vista da segurança nacional”, declarou, descrevendo a região como “coberta de navios russos e chineses por toda parte.”
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, regiu, pedindo que o presidente dos Estados Unidos cesse as ameaças ao território. Ela reafirmou a soberania dinamarquesa sobre o território e destacou que a Dinamarca — “e, portanto, a Groenlândia” — integra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), estando protegida pela garantia de segurança coletiva da aliança militar.























