Bad Bunny protesta contra ICE no Grammys: 'não somos animais'
Cantor porto-riquenho discursou em espanhol ao levar prêmio de Melhor Álbum do Ano; Billie Eilish, Olivia Dean e Kehlani também condenaram o Serviço de Imigração na premiação
O cantor porto-riquenho Bad Bunny criticou duramente o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) no domingo (01/02) ao receber o prêmio Grammy de Melhor Álbum de Música Urbana por seu álbum DeBÍ Tirar Más Fotos.
Durante o discurso de agradecimento, o músico declarou: “antes de agradecer a Deus, vou dizer Fora ICE! Não somos selvagens, não somos animais, não somos estrangeiros. Somos seres humanos e somos americanos”.
“A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor”, afirmou o porto-riquenho, incentivando seus seguidores a “serem diferentes”. “Se lutarmos, temos que lutar com amor. Nós não os odiamos”, expressou. “Amamos nosso povo. Amamos nossa família, e é assim que se faz. Com amor. Não se esqueçam disso, por favor”, concluiu Bad Bunny.
Bad Bunny says “ICE OUT” at the #Grammys and receives a massive standing ovation:
“We are not savage, we are not animals, we are not aliens, we are humans and we are Americans. The hate gets more powerful with more hate. The only thing that is more powerful than hate is love.… pic.twitter.com/IFzvguqdCR
— Variety (@Variety) February 2, 2026
Ao receber o Grammy de Melhor Performance de R&B por Folded, a cantora Kehlani disse “foda-se o ICE” em seu discurso de agradecimento, após encorajar outros artistas “a se manifestarem contra toda a injustiça que está acontecendo no mundo agora”.
A cantora Olivia Dean, que ganhou o prêmio de Melhor Artista Revelação, também usou seu discurso para celebrar os imigrantes, afirmando: “Sou neta de imigrantes, sou fruto dessa coragem. Vida longa aos imigrantes!”.
A cubana Gloria Estefan, ao levar o prêmio de Melhor Álbum Tropical Latino com Raíces, disse estar “assustada” com a repressão de Donald Trump à imigração ilegal desde seu retorno à Casa Branca, classificando suas ações como “desumanas”.
Billie Eilish, por sua vez, afirmou durante seu discurso “ninguém é ilegal numa terra roubada”. A cantora ganhou o prêmio de Canção do Ano por Wildflower.
“É muito difícil saber o que dizer e o que fazer neste momento”, continuou a artista. “Temos de continuar a lutar, a protestar e a falar”, incentivou, terminando com um “que se lixe o ICE” que a emissora norte-americana CBS censurou, tirando o som na transmissão ao vivo.
Billie Eilish discursa no #Grammys contra políticas de Trump e é CENSURADA:
“Ninguém está ilegal em uma terra que foi roubada no passado, fod*-se o ICE. Temos que lutar e protestar, nossas vozes são importantes”.
— QG Billie Eilish (@QGBillieEilish) February 2, 2026
Justin Vernon, fundador do Bon Iver, disse à Variety no tapete vermelho do Grammy que também estava usando um broche de apito “para homenagear os observadores em Minneapolis, que ‘apitam quando veem a imigração entrar'”, acrescentando: “Eles estão lá para proteger sua comunidade e vêm fazendo isso há semanas. É ótimo parar aqui e celebrar a música e o poder da música, mas o trabalho de verdade está nas ruas de Minneapolis agora, e estou aqui para homenageá-los”.
Shaboozey, que ganhou seu primeiro Grammy ao levar para casa o prêmio de Melhor Performance Country em dupla/grupo (Amen com Jelly Roll), usou seu discurso de agradecimento para defender os imigrantes.
“Os imigrantes construíram este país, literalmente. Então, isto é para eles, para todos os filhos de imigrantes”, disse ele. “Isto também é para aqueles que vieram para este país em busca de uma oportunidade melhor, de fazer parte de uma nação que prometeu liberdade para todos e igualdade de oportunidades para todos que estivessem dispostos a trabalhar por isso. Obrigado por trazerem sua cultura, sua música, suas histórias e suas tradições para cá. Vocês dão cor à América. Amo muito vocês”.
Samara Joy também disse à Variety no tapete vermelho que estava usando um broche com a inscrição “fora ICE” porque “agora não é hora de ficar muito triste ou desanimada com o que está acontecendo, mas sim de falar e defender aqueles que não podem no momento. É o mínimo que eu posso fazer… Quero me posicionar. Não quero chamar a atenção para mim o tempo todo sem reconhecer a humanidade de todas as pessoas que estão passando por tragédias ao redor do mundo. Quero falar por aqueles que não podem.”
Artistas como Joni Mitchell e Margo Price também foram vistas usando broches com escrito “Fora ICE” para demonstrar solidariedade aos protestos contra o ICE que estavam ocorrendo nos Estados Unidos, especialmente em Minneapolis, após os assassinatos de Renee Good e Alex Pretti.























