Cooperativa histórica de Nova York aprova boicote a produtos israelenses
Cerca de 7 mil associados da Park Slope participaram da votação; 67% aprovaram medida reafirmando tradição progressista da entidade criada em 1973
A Cooperativa Alimentar Park Slope, uma das mais tradicionais de Nova York, aprovou a interrupção da venda de parte dos produtos israelenses comercializados em suas prateleiras, em repúdio ao genocídio do povo palestino e às violações cometidas por Israel na Faixa de Gaza.
A decisão foi tomada na noite desta terça-feira (26/05), após três horas de votação online, que reuniu cerca de 7 mil associados, com aprovação de 67% dos votos. Os cooperados aprovaram também o fim da exigência de uma maioria de 75% para a realização de novas campanhas semelhantes.
Com a decisão, aproximadamente uma dúzia de produtos originários de Israel ou de assentamentos israelenses localizados em territórios palestinos ocupados não serão mais comercializados, incluindo marcas de tahine, pimentas, caquis e outros alimentos importados.
Criada em 1973 e sediada no Brooklyn, a Park Slope tem um longo histórico de campanhas semelhantes abrangendo a interrupção da venda de produtos vinculados ao regime do apartheid na África do Sul, ao Chile durante a ditadura de Augusto Pinochet e a empresas denunciadas por danos ambientais e práticas antissindicais.
“Nossa cooperativa tem uma longa e orgulhosa tradição de mais de 20 boicotes”, afirmou Alyce Barr, integrante da organização, ao jornal britânico The Guardian. “Queremos dar continuidade a essa tradição boicotando produtos israelenses até que Israel cumpra o direito internacional”, acrescentou.

Cooperativa histórica de Nova York aprova boicote a produtos israelenses
Beyond My Ken / Wikimedia Commons
Ataques
Em comunicado enviado aos associados, a direção da cooperativa afirmou ter recebido diversas manifestações antissemitas e antiárabes durante os debates em torno da proposta. Eles relatam terem sido obrigados a reforçar os protocolos de segurança após o recebimento de cartas ameaçadoras, substâncias suspeitas enviadas pelo correio, telefonemas agressivos, ataques virtuais, além de intimidações direcionadas a funcionários e associados.
“Essas medidas não estão sendo tomadas em resposta a nenhum ponto de vista ou grupo específico de membros”, declarou Joe Szladek, gerente-geral da organização ao jornal britânico. “A cooperativa sempre foi um espaço para discussões abertas, incluindo pontos de vista difíceis e contundentes que atravessam profundas divisões, mas esse debate deve permanecer pautado no diálogo civilizado”, acrescentou.
























