Sexta-feira, 6 de março de 2026
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O ex-presidente estadunidense Bill Clinton assegurou, perante uma comissão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, que não tinha conhecimento dos atos do criminoso sexual Jeffrey Epstein e que não foi seu cúmplice.

O casal foi convocado em uma investigação conduzida pelo Congresso dos EUA sobre os crimes sexuais do financista. Embora tenham inicialmente resistido à intimação sob alegações de motivação política, eles aceitaram depor após ameaças de serem acusados de desacato.

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O Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes, que é controlado pelos republicanos, publicou nesta segunda-feira (02/03) as gravações das audiências feitas a portas fechadas e sob juramento de Hillary Clinton, ex-secretária de Estado, e de seu esposo, o ex-presidente Bill Clinton. As audiências ocorreram, respectivamente, na quinta (26/02) e sexta-feira (27/02), cada uma delas com duração de pouco mais de quatro horas e meia.

Os depoimentos foram prestados em Chappaqua, Nova York, onde o casal reside. Quando questionado sobre possíveis “contatos sexuais” com meninas ou jovens mulheres que lhe teriam sido apresentadas por Jeffrey Epstein ou sua cúmplice Ghislaine Maxwell, ou que estavam em sua presença, o ex-presidente democrata respondeu negativamente.

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Clinton relata, em particular, uma conversa com Donald Trump, que ele situou em “2002 ou 2003”, durante a qual o atual presidente dos EUA lhe explicou que o rompimento com Epstein se deu por uma disputa sobre uma propriedade imobiliária que ambos desejavam adquirir. Em julho, Trump deu uma nova versão deste rompimento. Os dois eram amigos íntimos e faziam parte do círculo da alta sociedade de Nova York e da Flórida.

A disputa teria relação com jovens funcionárias do spa de Trump em Mar-a-Lago, na Flórida, recrutadas contra a sua vontade por Epstein, entre elas Virginia Giuffre, à época menor de idade. Giuffre, principal denunciante de Epstein, se suicidou em abril de 2025.

Anteriormente, a Casa Branca garantia que Donald Trump tinha expulsado Epstein de seu clube em Mar-a-Lago por se comportar “como um depravado”. Clinton também assinalou na audiência não ter conhecimento de atos reprováveis por parte de Trump relacionados a Epstein.

Hillary, por sua vez, pediu que o painel ouvisse o atual presidente. Os legisladores deveriam perguntar a Trump “diretamente, sob juramento, sobre as dezenas de milhares de vezes nas quais ele aparece nos arquivos de Epstein”, considerou.

Bill Clinton encontrando Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell na Casa Branca em 1993
Ralph Alswan/White House

A ex-secretária de Estado disse à imprensa que nunca conheceu Epstein e que seu marido não sabia nada sobre seus crimes. Bill Clinton confirmou esses dois pontos: “Não vi nada e não fiz nada errado”, insistiu na audiência, ao reafirmar que se distanciou de Epstein mais de uma década antes de sua morte na prisão em 2019.

Ser mencionado nos arquivos sobre o caso publicados pelo Departamento de Justiça não implica ter cometido um delito. Assim como Donald Trump, Bill Clinton não foi acusado formalmente de nenhum crime.

Mas, desde a publicação em 30 de janeiro pelo Departamento de Justiça de uma enorme quantidade de documentos do arquivo de Epstein, muitos dirigentes e personalidades do mundo viram-se afetados pela revelação de seus vínculos passados com o financista.