Brasileira, vítima de Epstein, pede julgamento de ex-príncipe britânico
Marina Lacerda não teve contato com Andrew Windsor, mas exige responsabilização de todos os envolvidos no crime sexual
A brasileira Marina Lacerda, uma das sobreviventes do esquema de exploração sexual de menores do financista norte-americano Jeffrey Epstein, afirmou que Andrew Mountbatten-Windsor, ex-príncipe britânico, deveria ser levado a julgamento.
“O Reino Unido precisa levá-lo à Justiça”, afirmou a brasileira em entrevista publicada nesta quinta-feira (25/12) pelo The Guardian. Embora não tenha tido contato com o então príncipe britânico, que perdeu o título real devido ao escândalo, ela exige a responsabilização de todos os envolvidos no tráfico e abuso de meninas.
“Temos muitas pessoas poderosas que não estão sendo levadas à Justiça ou simplesmente estão sendo varridas para debaixo do tapete”, afirmou. Em sua avaliação, o ex-membro da família britânica deveria se apresentar às autoridades norte-americanas. “É simplesmente a coisa certa a se fazer”, afirmou.
Lacerda hoje vive nos Estados Unidos e conheceu Epstein quando tinha 14 anos, através de uma colega que frequentava o grupo de jovens de uma igreja em Astorias, bairro no Queens, em Nova York. Ela foi explorada sexualmente até os 17 anos.

Brasileira sobrevivente de Epstein pede julgamento de ex-príncipe britânico
Carfax2 / Wikimedia Commons
Falha nas investigações
Neste ínterim, chegou a levar pelo menos 50 brasileiras e outras jovens russas e hispânicas à mansão de Epstein. Em entrevista à BBC Brasil, ela relata os abusos e revela que o perfil das vítimas que conheceu era de meninas menores de idade e imigrantes indocumentadas que, como ela, precisavam de dinheiro.
Em sua avaliação, o governo norte-americano falhou ao não apurar adequadamente as denúncias quando outra vítima do financista, Virginia Giuffre, ainda estava viva. “Muita gente não acreditou nela. Todo mundo ignorou e ele ficou quieto, e a esta altura é tipo: sério? É a isso que se resume — ela teve que morrer e sair um livro. Isso não está certo. É repugnante, me desculpe”, disse ao Guardian.
Na última terça-feira (23/12), o Departamento de Justiça dos Estados Unidos liberou uma nova leva de arquivos relacionados ao escândalo sexual. Epstein se matou em 2019 na prisão.
























