Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou, nesta quarta-feira (10/12), um mega orçamento de US$ 900 bilhões (R$ 4,95 trilhões) em gastos militares para o ano de 2026. Agora, o projeto de lei segue para o Senado, que tentará aprová-lo antes do recesso de fim de ano.

Com mais de três mil páginas, o amplo projeto de lei para a defesa norte-americana foi aprovado com 312 votos a favor e 112 contra e exige mais informações sobre os ataques que Washington tem promovido contra embarcações acusadas de narcotráfico no Pacífico.

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A aprovação ocorre em um momento de crescente atrito entre o Congresso e o governo Trump. Apesar da casa ter maioria republicana, há tensões acerca da transparência do Pentágono em relação às ofensivas norte-americanas no Pacífico, em meio a denúncias que a Marinha dos EUA tenha atirado contra sobreviventes no Caribe.

Embora a Casa Branca tenha expressado seu “forte apoio” ao projeto de lei, diversas disposições incluídas no texto final desafiam diretamente a gestão do Departamento de Guerra, como disposições que fortalecem a supervisão do Congresso sobre as operações militares. Uma delas envolve o corte de 25% no orçamento de viagens do Secretário de Defesa Pete Hegseth até que o Pentágono divulgue ao Congresso os vídeos integrais do ataque de 2 de setembro no Caribe contra uma embarcação acusada de tráfico de drogas, no qual duas pessoas morreram.

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Os legisladores argumentam que o Pentágono demorou muito para compartilhar informações cruciais sobre o caso, prejudicando sua obrigação de prestar contas perante a lei.

Israel, Ucrânia, Síria e Iraque

Outra seção do documento reafirma o compromisso dos EUA com aliados europeus, estipulando que o Pentágono deve manter pelo menos 76 mil soldados destacados na Europa, a menos que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) seja consultada e determinado que a retirada dos militares “seja do melhor interesse de Washington”.

No caso da Coreia do Sul, o projeto de lei estabelece um mínimo de 28.500 soldados norte-americanos no país. Quanto a Israel, principal aliado norte-americano no Oriente Médio, o projeto estabelece financimaneto integral para programas cooperativos de defesa, além de “exigir uma avaliação contínua dos embargos internacionais de armas contra Israel” impostos devido à guerra na Faixa de Gaza e a “possibilidade de os EUA intervirem para suprir as necessidades de produção de defesa de Israel”, cita a Reuters.

Pete Hegseth está na mira das decisões acerca do orçamento para defesa dos EUA
U.S. Secretary of War/Flickr

O projeto também autoriza a alocação de US$ 400 milhões (R$ 2,2 bilhões) anualmente, durante os próximos dois anos, para a produção de armas para a Ucrânia.

Em termos de política internacional, o projeto de lei também contempla a eliminação permanente das sanções norte-americanas contra a Síria, que haviam sido suspensas temporariamente após a mudança de liderança no país.

Os defensores da medida argumentam que a constante ameaça de restabelecimento das sanções inibe o investimento estrangeiro em projetos de reconstrução.

Outra decisão de grande impacto é a revogação da autorização de 2002 para a Guerra do Iraque. Embora raramente usada na última década, essa autorização foi invocada pelo primeiro governo Trump, em 2020, para justificar o ataque que matou o general iraniano Qasem Soleimani.

O projeto ainda prevê um aumento salarial de 3,8% para a maioria dos militares, além de investimentos para melhorar moradias e bases. O documento também garante que os processos de aquisição de armamentos serão agilizados, após anos de atrasos atribuídos à indústria de defesa e à burocracia interna.

Por fim, o texto inclui uma mudança significativa nas políticas climáticas e de diversidade. Estão sendo cortados US$ 1,6 bilhão (R$ 8,8 bilhões) de programas relacionados às mudanças climáticas, diversidade, equidade e inclusão estão sendo eliminados.

(*) Com Rt en español