Sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
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Uma delegação do movimento Projeto Prosperidade para Alberta (APP), que defende que a província se separe do Canadá, se reuniu em Washington com funcionários da Casa Branca, o que resultou em críticas por parte do primeiro-ministro Mark Carney e de outras autoridades canadenses.

A iniciativa teria acontecido em abril de 2025, mas só veio à tona nesta quarta-feira (28/01), graças a uma reportagem publicada pelo diário Financial Times.

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Segundo a matéria, os encontros teriam como objetivo solicitar apoio financeiro de político à proposta de criar um referendo independentista na província do sudoeste do país onde se localizam as cidades de Edmonton (capital) e Calgary.

A reportagem afirma que os representantes da APP teriam pedido uma ajuda financeira de US$ 500 bilhões para sustentar a campanha de promoção do projeto de referendo.

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O jornal não trouxe detalhes sobre qual teria sido a posição do governo norte-americano diante do pedido, na ocasião.

No entanto, o governo dos Estados Unidos difundiu um comunicado nesta quinta-feira afirmando que “nenhum apoio foi oferecido e nenhum compromisso foi assumido”. Ademais, ressaltou que “funcionários do governo se reúnem com diversos grupos da sociedade civil”.

Já o cofundador do APP, Dennis Modry, disse ao Financial Times que não considera sua iniciativa como uma “traição ao Canadá”.

“O que poderia ser mais nobre do que a busca pela autodeterminação, a busca por seus objetivos e aspirações, a busca pela liberdade e prosperidade?”, argumentou.

Logo do movimento que pretende separar a província de Alberta do resto do Canadá
Reprodução

Respeito à soberania

A campanha do APP tem se tornado um tema importante no noticiário canadense e ganhou força após a publicação da reportagem, a ponto de ter sido discutida inclusive na reunião anual entre os primeiros-ministros provinciais e o primeiro-ministro federal, Mark Carney, realizada nesta quinta-feira (29/01).

“Espero que o governo dos Estados Unidos respeite a soberania canadense. Sempre deixei isso claro em minhas conversas com o presidente Trump”, declarou o premiê, acrescentando que o mandatário estadunidense nunca abordou a questão do separatismo durante os encontros que tiveram.

Quem também criticou as reuniões dos separatistas em Washington foi o primeiro-ministro da província de Columbia Britânica, David Eby. “Ir a um país estrangeiro e pedir ajuda para desmembrar o Canadá… existe uma palavra antiga para isso, e essa palavra é ‘traição’”, declarou o premiê, que também qualificou a iniciativa como “totalmente inapropriada” e “uma tentativa de enfraquecer o país”.

Por sua parte, o primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, chamou as reuniões de “antiéticas” e cobrou a premiê de Alberta, a ultraconservadora Danielle Smith, por não se posicionar sobre o tema.

“Somos um só país, devemos estar unidos. Não podemos aceitar que um grupo separatista ignore o governo federal ou os governos provinciais e negocie algo com o governo dos Estados Unidos”, afirmou.

O episódio eleva as tensões entre os dois países, que aumentaram após a vitória eleitoral do presidente Donald Trump que, antes mesmo de tomar posse do seu segundo mandato nos Estados Unidos, fez alusões sobre transformar o Canadá no “51º estado” do país.

Com informações do Financial Times.