Os Estados Unidos lançaram na quinta-feira (03/09) jogos online que transformam a deportação de imigrantes indocumentados em uma brincadeira, ação que gerou críticas de grupos de direitos humanos no contexto em que Donald Trump intensifica e busca normalizar seu programa anti-imigração no país.
Os jogos estão disponibilizados no site oficial da Casa Branca, e se inspiram nos clássicos. Um deles é remete o “Snake” (“jogo da cobrinha”). Nele, o jogador guia um personagem que representa Tom Homan, o principal conselheiro de imigração de Trump. O objetivo é capturar o máximo possível de pessoas que cruzaram o Rio Grande na fronteira com o México para deportá-las.
CAN’T STOP WINNING. 🎮
Build the wall. Deport. Fill a Trump Account.
LIVE – PLAY NOW 📲 https://t.co/qIR69AxSnm pic.twitter.com/2nr2jG1ZRg
— The White House (@WhiteHouse) September 3, 2026
Um segundo jogo, intitulado “Proteja a fronteira da horda que se aproxima”, é baseado no Tetris, e consiste em construir um muro na fronteira com o México.
Grupos sociais e defensores dos direitos humanos denunciaram a banalização das políticas de perseguição e controle da imigração dos Estados Unidos, que são cercadas por violações do direito humanitário, além de violência e mortes decorrentes de agentes federais ou em centros de detenção do ICE.
“Isso me enoja. Eles têm brincado com a vida das pessoas há anos e agora fazem um videogame com suas ações”, disse Amérika García Grewal, codiretora da ONG texana Frontera Federation, à AFP. “Aqueles que a projetaram perderam de vista o que significa ser humano e se importar com os outros”.
A Casa Branca não se retratou. Pelo contrário, diante das críticas, a administração disse em um comunicado enviado à AFP que a plataforma de jogos “destaca ainda mais o contraste entre uma cultura ‘divertida’ e ‘bem-sucedida’ e a visão socialista sombria que os democratas têm para os Estados Unidos”.
Por sua vez, o Departamento de Segurança Interna (DHS) divulgou um vídeo, que foi denunciado como depreciativo e racista, que retrata a deportação de imigrantes haitianos algemados, após Washington revogar um estatuto que permitia que eles permanecessem legalmente no país. Segundo o DHS, o organismo prendeu um recorde de quase 51 mil imigrantes indocumentados somente no mês de agosto.
A dinâmica responde à estratégia de comunicação da Casa Branca, que emprega abertamente o princípio do trolling nas redes sociais, que consiste em espalhar conteúdo provocativo para gerar indignação e alcançar um efeito viral.
(*) Com Telesur