Quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
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A Casa Branca afirmou nesta terça-feira (06/01) que o uso das Forças Armadas dos Estados Unidos “é sempre uma opção” nos planos do presidente norte-americano, Donald Trump, para assumir o controle da Groenlândia. A ameaça provocou forte reação da Dinamarca e demais países europeus.

A declaração foi dada pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt. “O presidente Trump deixou bem claro que a aquisição da Groenlândia é uma prioridade de segurança nacional dos Estados Unidos e é vital para dissuadir nossos adversários na região do Ártico”, afirmou.

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Ela acrescentou: “o presidente e sua equipe estão discutindo uma série de opções para alcançar esse importante objetivo de política externa e, é claro, utilizar as forças armadas americanas é sempre uma opção à disposição do comandante-em-chefe”.

The Guardian informa que o governo da Groenlândia solicitou uma reunião “urgente” da ministra groenlandesa das Relações Exteriores, Vivian Motzfeldt, e do chanceler dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, para discutir as declarações de Washington.

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Comunicado europeu

Em nota conjunta, divulgada também nesta terça-feira (06/01), os premiês da Dinamarca, França, Alemanha, Reino Unido, Polônia, Itália e Espanha afirmaram que a segurança no Ártico é “uma prioridade fundamental para a Europa e crucial à segurança internacional e transatlântica”.

“A OTAN deixou claro que a região do Ártico é uma prioridade e os Aliados europeus estão intensificando seus esforços. Nós e muitos outros Aliados aumentamos nossa presença, atividades e investimentos para manter o Ártico seguro e dissuadir adversários. O Reino da Dinamarca – incluindo a Groenlândia – faz parte da OTAN”, diz o texto.

O comunicado acrescenta que “a segurança no Ártico deve, portanto, ser alcançada coletivamente, em conjunto com os aliados da OTAN, incluindo os Estados Unidos, defendendo os princípios da Carta da ONU, incluindo a soberania, a integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras. Esses são princípios universais e não deixaremos de defendê-los”.

E conclui afirmando que a “a Groelândia pertence ao seu povo” e que sua soberania deve ser respeitada: “cabe à Dinamarca e à Groenlândia, e somente a elas, decidir sobre assuntos que dizem respeito à Dinamarca e à Groenlândia.”

Casa Branca sugere opção militar para anexação da Groenlândia; países europeus reagem
Eider Palmou/Flickr

Miller: ‘ninguém vai lutar pela Groenlândia’

A movimentação europeia ocorre após as declarações do vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, que chegou a dizer que a Dinamarca não tem direito sobre o território. Em entrevista à CNN, na segunda-feira (05/01), ele reconheceu que a Groenlândia controla a maior parte de seus assuntos internos, mas argumentou que Copenhague ainda supervisiona política externa e defesa do território.

Miller também minimizou o risco de guerra, afirmando que não seria necessária força militar porque “ninguém vai lutar militarmente contra os Estados Unidos pelo futuro da Groenlândia”. Sua esposa, a podcaster conservadora Katie Miller, chegou a publicar nas redes sociais uma imagem da bandeira americana sobre um mapa da Groenlândia, com a legenda “Em breve”.

No mesmo dia, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, alertou em entrevista à TV2, para as consequências nefastas de uma ação armada na região. “Se os Estados Unidos decidirem atacar militarmente outro país da OTAN, tudo pararia – isso inclui a OTAN e, portanto, a segurança pós-Segunda Guerra Mundial”, disse.

Nesta terça-feira (04/01), o chanceler dinamarquês contestou a fala de Trump de que o território está cheio de investimentos chineses. O ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, também afirmou que o país investiu bilhões para reforçar a segurança no território.

A anexação da Groenlândia vem sendo mencionado por Trump desde sua posse, em 20 de janeiro de 2025, apesar de o país já ter uma base militar no território. A região detém uma localização estratégica entre os Estados Unidos e a Rússia, além de grandes reservas minerais.