Quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
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Parlamentares do Partido Democrata dos Estados Unidos divulgaram nesta sexta-feira (19/12) uma nota de repúdio à decisão do Departamento de Justiça do país (DoJ, por sua sigla em inglês) de revelar apenas uma parte dos chamados “Epstein Files”, com o conteúdo das investigações sobre o caso do empresário Jeffrey Epstein, condenado em 2008 por pedofilia e por liderar uma rede de tráfico sexual, e morto na prisão em 2019.

O protesto veio à tona horas depois de uma entrevista do vice-procurador Todd Blanche ao canal Fox News na qual ele admite que o DoJ não revelará todos os arquivos relacionados ao Caso Epstein nesta sexta-feira, apesar de haver uma determinação judicial que obriga a instituição a fazê-lo – medida que estipulava esta sexta-feira como data limite para realizar a tarefa.

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Blanche alega que essa decisão teria como objetivo “preservar a privacidade das vítimas”, razão pela qual os documentos estão sendo preparados para ocultar nomes das mulheres que sofreram os abusos.

O líder dos Democratas no Senado, Chuck Schumer, assinou o comunicado no qual o partido opositor afirma que “a medida aprovada pelo Congresso era muito clara: o governo Trump tinha 30 dias para divulgar todos os arquivos de Epstein, não apenas alguns”.

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“Não fazer isso é violar a lei. Isso apenas demonstra que o Departamento de Justiça, Donald Trump e Pam Bondi estão empenhados em esconder a verdade”, acrescentou a nota do Partido Democrata.

Em suas redes sociais, Schumer também disse que “os senadores democratas estão trabalhando em estreita colaboração com os advogados das vítimas de Jeffrey Epstein e com especialistas jurídicos externos para avaliar quais documentos estão sendo retidos e o que está sendo acobertado”.

“Não vamos parar até que toda a verdade venha à tona”, completou o senador opositor, eleitor pelo estado de Nova York.

Na entrevista à Fox News, Blanche disse que o DoJ, “divulgará várias centenas de milhares de documentos hoje (sexta 19/12), e esses documentos virão em diferentes formatos, fotografias e outros materiais associados a todas as investigações sobre o senhor Epstein”.

Decisão judicial obrigou DoJ a revelar totalidade dos Epstein Files até esta sexta-feira (19)
Tony Webster / Flickr

Outras reações

Além de Schumer e da bancada dos Democratas, a declaração do vice-procurador gerou indignação em advogados de defensores das vítimas de Epstein, como Jennifer Freeman, conselheira especial do escritório que representa Maria Farmer, uma das mulheres capturadas e abusadas pela rede de tráfico sexual promovida pelo empresário.

“Fico satisfeita em saber que o DoJ está tomando cuidado para proteger as sobreviventes, ainda assim, estou muito decepcionada com o fato de a divulgação de contar com apenas parte do material, principalmente porque essa divulgação era muito aguardada há bastante tempo”, afirmou a defensora.

Ainda assim, Freeman disse que “de qualquer forma, aguardo ansiosamente para finalmente ver o que espero serem os arquivos completos das sobreviventes, incluindo minha cliente, Maria Farmer, que espera por seus registros há quase 30 anos, desde 1996, quando denunciou pela primeira vez os crimes de abuso sexual infantil, tráfico sexual e pornografia infantil de Epstein e Maxwell ao FBI”.

Nas redes sociais, o jurista Ryan Goodman, que também é professor de direito da Universidade de Nova York, classificou a decisão de Blanche como “uma violação da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein”.

Com informações de The Guardian.