Sexta-feira, 14 de agosto de 2026
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Mais uma morte provocada por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) foi registrada nos Estados Unidos. Joan Sebastian Guerrero, um colombiano de 26 anos, foi alvejado por agentes de imigração durante uma operação em Biddeford, no estado do Maine.

Organizações de defesa dos imigrantes informaram que o colombiano era casado, pai de uma menina pequena e portador de número de Seguro Social, possuindo autorização para viver e trabalhar legalmente no país.

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Segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS), o episódio ocorreu quando agentes do ICE realizavam a busca de um imigrante que possuía uma ordem final de deportação. O gabinete do senador Angus King (Maine) informou, no entanto, que o próprio DHS esclareceu que Guerrero não era a pessoa procurada pelos agentes.

A Embaixada da Colômbia nos Estados Unidos divulgou um comunicado lamentando “profundamente a morte de um cidadão colombiano em Biddeford, Maine” e informou ter solicitado “informações e esclarecimentos” às autoridades norte-americanas.

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A morte de Guerrero é a 11ª cometida pelos agentes de imigração nos Estados Unidos desde janeiro de 2025. Entre as outras vítimas estão os norte-americanos Renée Good e Alex Pretti, mortos em Minnesota, em janeiro de 2026, e o mexicano Lorenzo Salgado Araujo, que foi baleado por agentes do ICE em Houston, no último dia 7.

Colombiano que trabalhava legalmente nos EUA é morto por agentes do ICE
usicegov / Flickr

Mais de 400 feridos em protestos

Além das mortes, o ICE vem utilizando de forma excessiva e indevida armas de controle de multidões para reprimir manifestações em vários estados do país. É o que revela um novo relatório, intitulado Mapeando a Repressão, elaborado pela organização Physicians for Human Rights (PHR) e pelo Centro de Direitos Humanos da Universidade da Califórnia, em Berkeley (HRC).

O relatório aponta que o emprego de balas de borracha, gás lacrimogêneo, spray de pimenta, granadas de efeito moral e outros dispositivos já provocou centenas de feridos, incluindo casos de cegueira e lesões cerebrais traumáticas.

Entre 1º de junho de 2025 e 31 de maio de 2026, foram documentados 412 incidentes e 203 lesões, entre lacerações, fraturas, contusões, queimaduras, traumatismos cranianos e graves lesões oculares. O relatório destaca que o uso de projéteis de impacto cinético, como balas de borracha, foi responsável pela maioria das lesões graves registradas, incluindo traumatismos cranianos, fraturas, danos oculares e perda auditiva.

Também foram amplamente empregados irritantes químicos, como gás lacrimogêneo e spray de pimenta, além de armas híbridas, que responderam por mais de um quarto das armas identificadas no levantamento. “O número real de feridos provavelmente é muito maior”, afirma o relatório, observando que muitos danos, como queimaduras químicas, dores crônicas e perda auditiva, não puderam ser plenamente identificados.

O estudo analisou, neste período marcado pela intensificação das operações conduzidas pelo DHS, protestos ocorridos em 16 cidades de 13 estados norte-americanos. Los Angeles concentrou 169 ocorrências — mais de 40% do total —, seguida por Minneapolis (94), Chicago (56), Portland (37) e Newark (21). Segundo o relatório, agentes federais e locais utilizaram força excessiva de maneiras incompatíveis com seus próprios protocolos.

O levantamento revela ainda que, além dos manifestantes, jornalistas estiveram entre os grupos mais atingidos. Dos 412 incidentes registrados, 177 envolveram profissionais da imprensa, o equivalente a 43% dos casos. Manifestantes representaram 209 ocorrências (50,7%), enquanto menores de idade, transeuntes, profissionais de saúde e observadores legais também figuram entre as vítimas.

52 mortes sob custódia

Relatório divulgado, em junho deste ano, pelas organizações Human Rights Watch (HRW) e Médicos pelos Direitos Humanos (PHR) aponta que 52 imigrantes morreram sob custódia do ICE, entre 20 de janeiro de 2025 e 4 de junho de 2026, período correspondente aos primeiros 500 dias do segundo governo Trump.

Segundo o levantamento, a taxa de mortalidade sob custódia do ICE atingiu o nível mais alto em mais de uma década, sendo quase quatro vezes superior à registrada durante o governo Joe Biden; e mais de duas vezes maior que a observada no primeiro mandato do republicano.

O relatório afirma que a política de detenção de imigrantes de Trump elevou a população detida para um recorde superior a 71 mil pessoas em janeiro de 2026. Embora o número de detidos tenha aumentado, a HRW concluiu que as mortes cresceram de forma desproporcional, aumentando aproximadamente 140%, em relação ao ano anterior.

Além disso, o think tank Brookings estima, a partir de dados demográficos de imigrantes detidos e projeções estatísticas, que ao menos 205 mil crianças tiveram ao menos um de seus pais presos no país.