Segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cancelou sua ida à final do campeonato nacional de futebol americano, o Super Bowl, que contará com apresentações do cantor e ativista porto-riquenho Bad Bunny e da banda estadunidense Green Day. O evento mais visto da TV dos EUA ocorre em 8 de fevereiro.

“Sou contra ambos. Acho uma escolha terrível. Tudo o que isso faz é semear ódio”, disse ao jornal New York Post.

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O músico porto-riquenho tem sido alvo de vários ataques por parte dos apoiantes de Donald Trump desde que foi escolhido para fazer o espetáculo de intervalo da Super Bowl, no ano passado. Em outubro, o próprio presidente disse que a sua escolha era “absolutamente ridícula”.

O Green Day sempre se opôs a Trump, com o vocalista Billie Joe Armstrong criticando, recentemente, os abusos cometidos pelo ICE, a agência de controle de imigração dos Estados Unidos, no estado de Minnesota.

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Na entrevista, o mandatário disse ainda que o motivo da ausência é a localização do estádio sede da final, o Levi’s Stadium, em Santa Clara (Califórnia), que, segundo ele, “fica muito longe”.

Mudança de nome?

No mês passado, empolgado com o sorteio da Copa do Mundo de 2026, Trump afirmou que seria preciso rebatizar o futebol americano, considerando que o esporte com a bola redonda, chamada de “soccer” nesse país, é que mereceria realmente o nome de “futebol”.

“Temos um pequeno conflito com outra coisa que se chama futebol. Mas quando a gente pensa (…) isto é futebol, não há dúvida. É preciso encontrar outro nome para tudo o que tenha a ver com a NFL [National Football League], o campeonato de futebol americano”, disse ele.

“Não faz nenhum sentido, quando a gente pensa”, acrescentou.

Para os estadunidenses, a palavra “football” designa espontaneamente o futebol americano, um esporte jogado principalmente com as mãos, completamente diferente do que o resto do mundo conhece sob esse mesmo nome. Todo o país, ou quase todo, se paralisa a cada ano com a final do campeonato da NFL, o Super Bowl, e o presidente da Fifa, Gianni Infantino, fez questão, em dezembro, de destacar para o público dos EUA que a Copa do Mundo de 2026 será, em termos de importância, o equivalente a 104 Super Bowls.

Rapper leva ao mundo a luta por independência de Porto Rico

Importância

O cantor porto-riquenho Bad Bunny, três vezes vencedor do Grammy e líder nas indicações ao Grammy Latino 2025, não é apenas um dos artistas mais influentes e mais ouvidos do planeta, mas também um defensor ativo pela independência de Porto Rico — que segue sob status colonial em relação aos Estados Unidos — e dos direitos dos imigrantes no país.

Em uma cena do videoclipe mais recente da música NUEVAYoL, um grupo de imigrantes, sentado ao redor de um rádio em uma ambientação dos anos 1970, faz silêncio para ouvir um anúncio. Nesse momento, surge a voz de Trump: “Cometi um erro, quero pedir desculpas aos imigrantes da América. Estou nos Estados Unidos, sei que a América é todo o continente. Quero dizer que este país não é nada sem os imigrantes”. O vídeo foi lançado em 4 de julho — data em que os EUA celebram sua independência.

Influentes youtubers ligados ao movimento Maga (sigla em inglês para Faça a América Grande Novamente), como Nick Adams, fizeram um chamado aberto para boicotar o Super Bowl LX, classificando a escolha do artista como “um ato de provocação política”.

Diante das críticas recebidas por Bad Bunny, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, usou as redes sociais para escrever: “O que significa a censura a Bad Bunny? Acho que o leitor deve entender que estão destruindo a democracia no mundo”. O mandatário ainda deixou o que soou como um convite público ao artista: “Seria bonito um bom show do Bad Bunny na Colômbia”.