Congressista democrata é atacada com líquido durante ato por abolição do ICE
Ilhan Omar, mulçumana e migrante somaliana, disse ser ‘sobrevivente’ e que não será intimidada; agressor foi preso e caso será investigado
A polícia de Minneapolis e a polícia do Capitólio dos EUA estão investigando nesta quarta-feira (28/01) o ataque ocorrido contra a deputada Ilhan Omar durante um evento público em que condenava as recentes ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) na cidade. Na noite de terça-feira (27/01) um homem borrifou um líquido de cheiro forte na congressista.
A agressão contra Omar, democrata que representa parte de Minneapolis e tem sido alvo frequente do presidente Donald Trump, reflete o clima político tenso em Minnesota. A política federal agressiva de imigração provocou uma onda de indignação e manifestações após mortes, prisões de crianças e perseguição a imigrantes.
Segundo o New York Times (NYT), o homem, que estava sentado bem em frente ao púlpito, na primeira fila, levantou-se de repente enquanto Omar discursava e correu em direção ao pódio. Ele usou uma seringa para borrifar uma substância com forte cheiro de vinagre na camisa dela. Ao cambalear para trás e apontar para a deputada, um segurança o derrubou no chão, algemou-o e o retirou da sala.
A agressão ocorreu logo depois que ela disse: “Precisamos abolir o ICE de vez. E a Secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, deve renunciar ou enfrentar um processo de impeachment”.
A polícia de Minneapolis informou que o homem, posteriormente identificado como Anthony J. Kazmierczak, de 55 anos, foi preso e levado para a cadeia sob suspeita de agressão. A polícia acrescentou que uma equipe de perícia foi acionada para analisar a cena do crime.
I am deeply disturbed to learn that Rep. Ilhan Omar was attacked at a town hall today. Regardless of how vehemently I disagree with her rhetoric – and I do – no elected official should face physical attacks. This is not who we are.pic.twitter.com/2kNUqcnAb8
— Rep. Nancy Mace (@RepNancyMace) January 28, 2026
Horas antes do encontro da deputada com eleitores para rechaçar as operações do ICE, Trump a criticou em um comício em Iowa e repetiu declarações inflamatórias sobre seu país de origem, a Somália. Ele disse que os imigrantes “precisam mostrar que podem amar nosso país. Precisam ter orgulho, não como Ilhan Omar”.
Cerca de uma hora após a reunião pública, Omar publicou nas redes sociais que estava bem e agradeceu aos seus eleitores pelo apoio após a agressão. “Sou uma sobrevivente, então esse pequeno incômodo não vai me intimidar e me impedir de fazer meu trabalho”, disse ela. “Não deixo que valentões vençam”.
A Polícia do Capitólio dos EUA, que investiga ameaças contra parlamentares, afirmou em comunicado que o ataque foi “inaceitável” e será punido. “Estamos trabalhando com nossos parceiros federais para garantir que esse homem enfrente as acusações mais graves possíveis, a fim de deter esse tipo de violência”, declarou a agência, segundo NYT.
O governador de Minnesota, Tim Walz, declarou no X que o “estado foi devastado pela violência política no último ano” e disse estar “feliz que a congressista Omar esteja segura”.
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, repudiou o ataque, afirmando no X que “esse tipo de comportamento não será tolerado em nossa cidade” e que “violência e intimidação não têm lugar em Minneapolis”.
A representante Nancy Mace, republicana da Carolina do Sul que frequentemente ataca a retórica de Omar, disse estar “profundamente perturbada” com o ataque.
“Independentemente de quão veementemente eu discorde de sua retórica — e discordo mesmo —, nenhum funcionário eleito deveria sofrer ataques físicos”, escreveu em uma publicação nas redes sociais. “Não somos assim”.
Ilhan Omar se tornou a primeira refugiada da Somália a ser membro do Congresso, a primeira mulher não branca a representar Minnesota e uma das duas primeiras mulheres muçulmanas-americanas eleitas para o Congresso.
























