Custos da guerra contra Irã atingem R$ 190 bilhões, diz Pentágono
Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, pediu R$ 355,5 bilhões adicionais para conflito durante audiência no Senado; democratas criticam orçamento
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta terça-feira (21/07), durante audiência no Comitê de Orçamento do Senado, que o custo da guerra contra o Irã já atingiu US$ 37,5 bilhões (cerca de R$ 190 bilhões), desde seu início em fevereiro deste ano. O valor é US$ 8,5 bilhões superior à estimativa apresentada pelo Pentágono no início de maio, de US$ 29 bilhões (R$ 147 bilhões).
Durante a audiência, o chefe do Pentágono também pediu aos parlamentares um orçamento total de US$ 1,5 trilhão (R$ 7,61 trilhões) para o Departamento de Defesa. Desse total, quase US$ 70 bilhões (R$ 355,5 bilhões) seriam destinados especificamente às operações militares na guerra contra o Irã. Ele mencionou que, entre outras ações, o montante serviria para o destacamento da Guarda Nacional em Washington, operações de Washington no Caribe e ações das patrulhas na fronteira do país.
Hegseth alegou que a guerra tem exercido forte pressão sobre os estoques militares dos Estados Unidos e que os recursos são necessários para “expandir as linhas de produção e acelerar a entrega de munições de alta demanda”. “Estamos falando de motores de foguete sólido, JDAMs [Munição de Ataque Direto Conjunto], armas hipersônicas e capacidades antidrone”, especificou.
Durante a audiência, o secretário disse que China e Rússia estão prestando apoio ao Irã “em diferentes níveis”. E acrescentou que, desde maio, a operação de escolta da Marinha a embarcações comerciais no Estreito de Ormuz vem sendo realizada “de forma sigilosa”.
Para convencer os senadores, Hegseth alertou sobre riscos de uma crise orçamentária no Pentágono: “o treinamento no futuro terá que ser reduzido se não atendermos às nossas necessidades orçamentárias com urgência”.

Guerra contra Irã já custou mais de R$ 190 bilhões aos cofres norte-americanos
Gage Skidmore / Flickr
‘Fracasso na condução da guerra’
Durante a audiência, a senadora republicana Lisa Murkowski (Alaska) questionou se a Casa Branca considera desnecessária uma autorização formal do Congresso para manter as operações no Oriente Médio. Hegseth respondeu que o governo do presidente Donald Trump entende possuir a autoridade legal necessária para prosseguir com a campanha militar.
O senador democrata Gary Peters (Michigan), por sua vez, criticou a condução da guerra pelo governo Trump, classificando a estratégia do Pentágono como um fracasso. Segundo ele, o Congresso estava sendo chamado a aprovar recursos “apesar do seu fracasso [governo Trump] em vencer esta guerra”.
“Sem uma estratégia clara para vencer, corremos o risco de entrar em mais uma ‘guerra sem fim’, que colocará nossos militares em perigo e continuará custando bilhões de dólares aos contribuintes”, afirmou Peters. Hegseth respondeu que “descrever esse esforço incrível como um fracasso é imprudente e irresponsável”.
Peters elevou o tom, ao rebater: “o senhor é quem representa o fracasso, não os homens e mulheres que estão na linha de frente, nem os homens e mulheres que honram sua farda com distinção”, afirmou.
‘Pedido sem sentido’
A senadora democrata Kirsten Gillibrand (Nova York) também acusou Hegseth. “As palavras que o senhor usou no passado não condizem com os fatos. O senhor afirmou que havíamos ‘aniquilado’ a capacidade do Irã de produzir armas nucleares”, disse.
Ela acrescentou que, oito meses após essas declarações, em abril de 2026, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “iniciou uma guerra ativa alegando que o Irã estava a apenas duas semanas de obter uma arma nuclear”. Hegseth retrucou, afirmando que a senadora estava “tentando fazer propaganda eleitoral”.
Já a senadora democrata Patty Murray (Washington) criticou duramente a proposta orçamentária do Pentágono. “Serei franca. A verdade é que seu pedido não faz muito sentido”, declarou.
A audiência desta terça-feira marca o início da discussão do pacote suplementar encaminhado pelo governo do presidente Donald Trump ao Congresso, não houve deliberações.























