Terça-feira, 21 de julho de 2026
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O Partido Democrata trava uma disputa interna sobre a melhor estratégia para enfrentar o presidente norte-americano Donald Trump nas eleições legislativas de novembro. Segundo The New York Times a legenda tem apostado em candidaturas outsiders e progressistas que prometem profundas mudanças nos Estados Unidos.

O apoio a essas candidaturas acompanha a mudança de humor entre os eleitores democratas, expressa nas primárias partidárias no último dia 23. Em 2018, nas eleições de meio de mandato, as chamadas midterms, o partido recuperou o controle da Câmara dos Representantes apostando em candidatos moderados e propostas graduais.

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Agora, no entanto, os eleitores democratas “estão deixando claro seu desejo por mudanças sistêmicas”, diz o jornal. Frente ao novo cenário, a legenda vem testando se poderá candidaturas progressistas  capazes de energizar a base ou se deve permanecer escolhendo candidatos mais tradicionais e centristas.

A reportagem destaca as vitórias dos socialistas nas primárias democratas na última semana. Em Nova York e no Colorado, socialistas democráticos derrotaram parlamentares em exercício e nomes apoiados pelo establishment democrata. No Maine, um candidato com pouca experiência política venceu um ex-governador de dois mandatos na disputa pela indicação ao Senado.

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Eleição de Zohran Mamdani em Nova York alavanca candidaturas socialistas dentro do Partido Democrata
Reprodução/ @ZohranKMamdani

Os socialistas também obtiveram vitórias em cidades de Washington, Los Angeles e outras localidades. A tendência vem ganhando projeção desde a eleição de Zohran Mamdani para a prefeitura de Nova York, no ano passado, cuja força dentro da legenda se consolidou nas primárias de junho, fortalecendo o peso dos Socialistas Democráticos da América (DAS) na disputa legislativa.

No Congresso, o senador independente por Vermont, Bernie Sanders, e a deputada democrata por Nova York Alexandria Ocasio-Cortez, continuam sendo os principais representantes do socialismo democrático na política  norte-americana.

“Quando olho para as recentes vitórias progressistas no Colorado e em outros lugares, e para as campanhas de organização bem-sucedidas que estão se enraizando pelo país, acredito que podemos estar à beira da revolução política pela qual temos lutado”, avalia o senador.

‘Somos capitalistas, não socialistas’

O crescimento da ala mais à esquerda, contudo, enfrenta resistência dentro da própria legenda. Após as primárias em Nova York, um grupo de democratas moderados divulgou uma carta criticando o avanço dos socialistas democráticos.

“Somos capitalistas, não socialistas”, afirmaram os parlamentares, preocupados com a possibilidade de que os republicanos consigam apresentar todo o Partido Democrata como “fora do mainstream” ou extremista.

Entre os críticos está o deputado Tom Suozzi (Nova York). Embora reconheça que o avanço dos candidatos progressistas seja uma resposta à crise do custo de vida e ao descontentamento popular, ele advertiu que “os democratas nunca vão ganhar a maioria apenas apelando para a base extrema”.

Trump, inclusive, intensificou seus ataques, passando a retratar os vencedores como “extremistas” e, de forma falsa, como “comunistas”.

Apesar do crescimento dos progressistas, o New York Times ressalta que candidatos moderados obtiveram vitórias importantes nas primárias, em estados considerados estratégicos, como Iowa, Ohio e Carolina do Norte, mostrando a influência do establishment democrata.

O que dizem as pesquisas

Para a senadora Kirsten Gillibrand, os Estados Unidos atravessam uma transformação política profunda. “As pessoas vão votar de forma diferente do que jamais votaram antes. Porque elas não estão felizes”, afirmou.

Pesquisa realizada em maio pelo instituto Siena College em parceria com o NYT revelou que mais da metade dos democratas e eleitores independentes disseram estar frustrados com a legenda, enquanto mais de 80% afirmaram que o sistema político e econômico dos Estados Unidos precisa ser “totalmente derrubado ou reformulado de forma significativa”.

Outra pesquisa, realizada pelo instituto Economist/YouGov, revela que 29% apoiariam um representante socialista, ante 45% que não o elegeria. A margem de crescimento, no entanto, é grande: 26% afirmaram estar indecisos.

Em relação à percepção dos norte-americanos sobre o socialismo, 32% disseram ter uma visão “muito favorável” ou “um pouco favorável”, enquanto 39% afirmaram enxergá-la de forma “um tanto desfavorável” ou “muito desfavorável”. O índice dos que não têm opinião formada é de 29%.

A margem de erro do levantamento é de 3,2 pontos percentuais.