Diretor da CIA pediu à Rússia para não atacar países da OTAN, diz jornal
Informações do Wall Street Journal confrontam versão de Trump, que falou em viagem de 'semirrotina'; visita acontece em meio a baixo estoque de munições do Ocidente
A visita surpresa do diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), John Ratcliffe, a Moscou nesta semana teve como objetivo alertar o país para não atacar países que integram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), de acordo com fontes ouvidas pelo jornal norte-americano The Wall Street Journal (WSJ). A informação, publicada nesta quarta-feira (26/08) pelo periódico, desmente a versão do presidente Donald Trump sobre as motivações da viagem.
Tratou-se da primeira visita pública do chefe da agência de espionagem norte-americano à capital russa desde novembro de 2021, meses antes do início da guerra da Ucrânia. Ela ocorreu, segundo o WSJ, após novas avaliações feitas pela inteligência dos Estados Unidos de que o presidente russo Vladimir Putin “poderia tentar testar a determinação da Organização do Tratado do Atlântico Norte com um ataque limitado a um país aliado nos próximos anos”.
O jornal também informou que as autoridades norte-americanas avaliaram que Moscou poderia realizar desde ataques cibernéticos até incursões terrestres de pequena escala contra algum país-membro da organização. Conforme os relatos do WSJ, Putin poderia implementar essa decisão no contexto do baixo estoque de munições de determinadas nações ocidentais, incluindo dos Estados Unidos, envolvidos em uma guerra contra o Irã desde 28 de fevereiro.

O diretor da CIA, John Ratcliffe, realizou uma visita não programada a Moscou nesta terça-feira (25/08)
X/@DCIARatcliffe
Na quarta-feira, o presidente norte-americano Donald Trump minimizou a visita de Ratcliffe a Moscou, alegando que teve caráter de “semirrotina” e estaria relacionada aos esforços para encerrar a guerra na Ucrânia. A posição foi dada em conversa com o produtor televisivo norte-americano Glenn Beck, durante a qual também rejeitou especulações de que a viagem pudesse estar ligada a uma possível intenção de Putin de ampliar a guerra e “testar a determinação” da OTAN.
A Casa Branca, a CIA, o Pentágono e a Força Aérea dos EUA não comentaram a viagem. A passagem de Ratcliffe pela Rússia foi confirmada pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, que afirmou que o chefe da inteligência norte-americana não se encontrou com Putin, mas sim com representantes da inteligência do país.























