Disputas entre republicanos prejudicam agenda de Trump no Congresso
Impasses em ano eleitoral englobam orçamento para política migratória, segurança interna, habitação e monitoramento de estrangeiros
As divisões internas entre os líderes republicanos da Câmara e do Senado dos Estados Unidos se aprofundaram nas últimas semanas. Segundo reportagem do site Político, as disputas estão ameaçando a tramitação de pontos fundamentais da agenda legislativa do presidente do país, Donald Trump.
O clima de animosidade entre republicanos das duas Casas legislativa ocorre às vésperas das eleições de meio de mandato que acontecem em novembro. Temas como habitação, vigilância, política migratória e outras propostas estão travadas pelas discordâncias entre os parlamentares da base trumpista.
“Precisamos cumprir nossas promessas”, disse o senador republicano Thom Tillis (Carolina do Norte), ao criticar a incapacidade do Partido Republicano de entregar resultados. “Nós controlamos Washington. Quando… não conseguimos fazer as coisas acontecerem, estamos cometendo um grande erro”, disse.
O deputado republicano Tom Cole (Oklahoma) também demonstrou preocupação com as disputas internas e alertou para o risco eleitoral. “Você pode fazer parte de uma maioria funcional e conseguir quase tudo, ou pode resistir, não conseguir nada e ficar na minoria na próxima eleição”, declarou. “Acho que podemos todos votar ‘não’ juntos — isso vai ser emocionante”, acrescentou.

Disputas entre republicanos prejudicam agenda de Trump no Congresso
Radomianin/ Wikimedia Commons
Pautas travadas
A reportagem relata algumas das disputas envolvendo os parlamentares republicamos. Uma das brigas girou em torno da aprovação do orçamento para o Departamento de Segurança Interna (DHS). O financiamento foi aprovado pelo Senado, após ser classificado pelo presidente da Câmara, Mike Johnson (Louisiana) de “porcaria”.
Os deputados republicanos acusaram os senadores de ignorar suas decisões nas negociações políticas da Casa legislativa. Chip Roy (Texas) afirmou que o Senado precisa assumir sua parte no processo legislativo, reiterando que “a Câmara está fazendo seu trabalho”. Segundo ele, as tensões foram “criadas pela má gestão da liderança do Senado e pela falta de transparência e abertura conosco na Câmara”.
Também está em disputa a votação do financiamento da fiscalização da imigração. A Casa Branca pressiona os parlamentares para aprovar o orçamento do pacote migratório até 1º de junho. A matéria, no entanto, encontra resistência após os senadores incluírem US$ 1 bilhão no orçamento, destinado à segurança do Serviço Secreto. Trump defende que esses recursos também sejam usados para construir um salão de baile na Casa Branca.
Outro tema em debate, citado pela reportagem, é a renovação da Seção 702, legislação de vigilância que permite monitoramento de estrangeiros no exterior. A lei pode atingir comunicações de cidadãos norte-americanos. A Câmara aprovou uma extensão da medida, de três anos, vinculando a aprovação do texto à proibição permanente de uma moeda digital do Federal Reserve, o que vem sendo criticado no Senado.
A habitação também vem levantando disputas. Os senadores republicanos pressionam pela aprovação de um pacote bipartidário para conter o aumento dos preços imobiliários, mas o texto está travado pelos deputados. Segundo o senador John Kennedy (Lousiana) a matéria está sendo bloqueada “por um ou dois membros do Congresso”. “Gostaria de ver o presidente ligar para eles e dizer: ‘Ei, pessoal, qual é o problema aqui?’”, afirmou.
























