Quarta-feira, 2 de setembro de 2026
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O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos divulgou nesta quarta-feira (19/08) dados de que a dívida pública bruta do país ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 40 trilhões (cerca de R$ 207,93 trilhões). O novo recorde intensifica o debate em Washington sobre o crescimento dos gastos públicos, o custo do financiamento do governo e os impactos de longo prazo para a economia do país.

O valor representa um aumento de cerca de 33% em menos de cinco anos. No ano fiscal de 2026, iniciado em outubro de 2025, a dívida teria crescido aproximadamente US$ 1,8 trilhão (R$ 9,34 trilhões), evidenciando a dificuldade do governo federal em reduzir o desequilíbrio entre receitas e despesas.

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Segundo a agência de notícias Reuters, investidores e analistas demonstram preocupação com o aumento do custo do serviço da dívida. Os pagamentos de juros chegaram a aproximadamente US$ 1,17 trilhão (cerca de R$ 6,07 trilhões) no ano fiscal de 2026, alta de 15% em relação ao período anterior.

O aumento dos juros reduz o espaço disponível no orçamento para outras políticas públicas e torna o financiamento do governo mais caro. Para financiar seus gastos, o governo norte-americano recorre a empréstimos obtidos por meio da venda de títulos da dívida a investidores, bancos, fundos e governos estrangeiros por meio da venda de títulos da dívida. Em troca, compromete-se a devolver o dinheiro no futuro, com o pagamento de juros.

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O encarecimento dos custos de financiamento do governo também pode repercutir sobre as condições gerais de crédito, afetando custos de financiamento de imóveis, veículos e outras modalidades de empréstimo.

Décadas de acúmulos

O atual nível de endividamento é resultado de décadas de decisões econômicas adotadas por diferentes governos, em distintos períodos econômicos. Entre os fatores apontados por analistas estão cortes de impostos, aumento dos gastos públicos, operações militares no exterior e programas emergenciais adotados durante grandes crises.

Segundo a rede de televisão Telesur, administrações de George W. Bush (2001-2009) e do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump promoveram reduções tributárias que diminuíram a arrecadação federal. Paralelamente, as guerras no Iraque e no Afeganistão elevaram os gastos públicos.

A crise financeira de 2008 também levou o governo norte-americano a adotar medidas de estímulo e resgate econômico. Posteriormente, mais de uma década depois, a pandemia de covid-19 provocou uma nova rodada de gastos extraordinários, com programas de auxílio a famílias, empresas e governos locais.

Durante o governo de Joe Biden (2021-2025), novas medidas de investimento e programas públicos também contribuíram para ampliar as despesas federais, em meio à continuidade dos déficits orçamentários.

Segundo a Reuters, um dos principais exemplos da política fiscal adotada no segundo mandato de Trump é o pacote “Uma Grande e Bela Lei”, que reúne mudanças tributárias e alterações em programas federais.

A medida deve pressionar as contas públicas nos próximos anos, especialmente pela redução de receitas provocada pelos cortes de impostos. O Congressional Budget Office (CBO), órgão responsável por produzir análises orçamentárias para o Congresso, calcula que a legislação terá impacto significativo sobre o déficit federal.

A política de redução de despesas defendida por Trump também enfrenta limites impostos pela própria estrutura do orçamento. O governo federal direciona uma parcela expressiva de seus recursos para despesas obrigatórias, que incluem benefícios da Previdência Social, programas de saúde como Medicare e Medicaid e pagamentos destinados a veteranos. Esses gastos não dependem, em sua maior parte, das decisões anuais de financiamento do Congresso, o que reduz o alcance de cortes concentrados apenas nas despesas discricionárias.

Recorde histórico do endividamento expõe o avanço dos gastos e dos juros e reacende a disputa entre democratas e republicanos sobre os rumos da política econômica norte-americana< br / > Unplash

Biden e Trump estão na discussão

Os números também alimentam uma disputa política entre democratas e republicanos. Segundo dados do Comitê para um Orçamento Federal Responsável (CRFB, por sua sigla em inglês) Donald Trump acrescentou cerca de US$ 8,4 trilhões (cerca de R$ 43,6 trilhões) à dívida durante seu primeiro mandato, enquanto Joe Biden teria acrescentado aproximadamente US$ 4,3 trilhões. (cerca de R$ 22,3 trilhões)

Porém, a comparação ocorre em contextos econômicos diferentes, especialmente em razão dos gastos  extraordinários provocados pela pandemia de covid-19 durante o governo Trump.

Vale ressaltar, que o marco de US$ 40 trilhões (cerca de R$ 208 trilhões) provocou críticas de parlamentares dos dois partidos. Democratas responsabilizaram Trump e a maioria republicana no Congresso pelo crescimento recente dos gastos, enquanto republicanos e integrantes de grupos fiscalmente conservadores pressionam por cortes e maior controle das despesas.

O deputado republicano Thomas Massie, crítico frequente dos gastos federais, utiliza há anos um broche que acompanha a evolução da dívida nacional comentou que o novo recorde desmonstra o  peso dos pagamentos de juros sobre o orçamento e sobre os contribuintes.

Em sua rede social no X, o senador democrata do Arizona, Mark Kelly ressaltou que Trump afirmou que  presidente estadunidense disse que “pagaria a dívida em seu primeiro mandato. Bem, todos nós sabíamos que era mentira. Em vez disso, ele a aumentou para US$ 40 trilhões enquanto ele e sua família ganhavam bilhões”.

Além disso, críticas relacionadas ao corte de impostos aos bilionários estão sendo realizadas pelos democratas, o congressista Jasmine Crockett afirmou que agora os membros do partido republicano “querem dar lições às famílias trabalhadoras sobre responsabilidade fiscal“. Segundo ele, “não dá para estourar o limite do cartão E fingir que você é o contador. Escolha uma luta”, disse.