Quinta-feira, 3 de setembro de 2026
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O governo do Canadá se prepara para uma nova medida comercial dos Estados Unidos que pode aumentar a pressão sobre empresas e trabalhadores do país. A partir desta quarta-feira (19/08), uma tarifa de 50% deverá ser aplicada a diversos produtos canadenses, em uma decisão que também pode dificultar as negociações entre os dois países sobre o futuro do acordo de livre comércio da América do Norte.

Em julho deste ano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma medida com base na Seção 338 da Lei Tarifária de 1930. O mecanismo permite a aplicação de tarifas contra países considerados responsáveis por práticas comerciais discriminatórias.

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Entre os produtos que poderão ser atingidos estão vinhos, móveis, laticínios, cimento, roupas, varas de pesca e equipamentos de hóquei. De acordo com dados do Departamento do Censo dos Estados Unidos, as tarifas alcançariam aproximadamente US$ 20 bilhões em mercadorias canadenses, cerca de 5,2% do total importado pelo país vizinho em 2025.

Setores vulneráveis temem cortes

Segundo o jornal Reuters, a  possibilidade de novas perdas de empregos preocupa principalmente setores que já enfrentam dificuldades, já que a indústria madeireira canadense e o setor de vinhos estão entre os mais vulneráveis. Os empresários temem que o aumento dos preços torne seus produtos menos competitivos no mercado americano e obrigue algumas empresas a reduzir a produção e o número de funcionários.

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Enquanto o prazo para a entrada das tarifas se aproxima, representantes do Canadá, o ministro Dominic LeBlanc e a principal negociadora comercial, Janice Charette e  o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e o secretário de Comércio, Howard Lutnick intensificam as negociações. No entanto, apesar dos esforços, ainda existe uma distância significativa entre as posições dos dois países.

Outro ponto de preocupação é o futuro do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA, por sua sigla em inglês),  que estabelece as regras comerciais entre Estados Unidos, Canadá e México. As novas tarifas podem atingir inclusive produtos que normalmente teriam direito a tratamento preferencial dentro do tratado.

Portanto, a decisão de Trump aumenta a incerteza para empresas que dependem do comércio entre os dois países. Além dos possíveis efeitos sobre empregos e investimentos, a disputa pode prolongar um período de instabilidade que já afeta o crescimento econômico canadense.

Com a aproximação da data prevista para a implementação das tarifas, o governo canadense tenta chegar a um acordo que evite uma nova escalada comercial. O resultado das negociações poderá ter consequências importantes para empresas, trabalhadores e para o futuro das relações econômicas entre Canadá e Estados Unidos.