Dólar cai para menor nível em quatro anos após declarações de Trump
Moeda recua 1,3% no quarto dia consecutivo de perdas após republicano considerar depreciação ‘ótima’; euro, franco suíço e ouro sobem
O dólar norte-americano caiu para o menor patamar em quatro anos, nesta quarta-feira (28/01), recuando 1,3%, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o movimento de desvalorização era “ótimo”.
A declaração foi dada durante uma entrevista no estado de Iowa e levou os investidores a buscarem ativos mais seguros, como o ouro e o franco suíço.
Ao ser questionado se a queda contínua da moeda o preocupava, Trump disse que “não, eu acho ótimo”. “Olhem os negócios que estamos fazendo, o dólar está indo muito bem”, acrescentou.
Nesta terça-feira (27/01) foi registrada a maior perda do dólar desde abril do ano passado, quando a Casa Branca anunciou o seu pacote tarifário. A queda de hoje, de 1,3%, leva o valor da moeda ao nível mais baixo desde fevereiro de 2022.
O mercado brasileiro acompanhou o recuo, com queda de 1,41%, fechando a terça-feira (27/01) em R$ 5,20, a menor cotação desde maio de 2024.

Dólar cai para menor nível em quatro anos após declarações de Trump
Valter Campanato / Agência Brasil
Ouro, franco suíço e euro sobem
Frente à queda do dólar, moedas de outros países bateram níveis históricos. O franco suíço atingiu o maior valor frente ao dólar em mais de uma década, mantendo a alta de 3% em relação à moeda norte-americana desde o começo deste ano, e de 14% em 2025.
O euro também se fortaleceu atingindo a cotação de US$ 1,20, após subir 2% o seu valor em relação ao dólar na última semana. Já o ouro ultrapassou a marca de US$ 5.200 por onça, após ter rompido pela primeira vez o patamar de US$ 5.000 na segunda-feira (26/01). Desde a volta de Trump à Casa Branca, o preço do ouro acumula uma valorização próxima de 90%.
Considerado os últimos 12 meses, a moeda norte-americana já perdeu 10% de seu valor. A depreciação é atribuída à alta imprevisibilidade da política externa e econômica do país, em particular, às sucessivas ameaças tarifárias de Trump.
Outro fator que poderá impactar o mercado é o anúncio, nesta quarta-feira (28/01), pelo Federal Reserve (FED), de sua primeira decisão sobre os juros no país neste ano. A expectativa é que as taxas sejam mantidas, apesar das pressões de Trump que ameaçou, várias vezes, o presidente da instituição, Jerome Powell.
Powell enfrenta, inclusive, uma investigação criminal aberta pelo Departamento de Justiça relativa a obras realizadas na instalação do FED, seu mandato termina em maio deste ano.
























