Estados Unidos preparam novas tarifas sobre importações de 60 países
Governo Trump justificou medida afirmando que seriam nações que ‘sem legislação contra trabalho forçado, ou não a aplicam’; relatório de 2023, no entanto, aponta que país têm 1,1 milhão de trabalhadores forçados, mais que Brasil
O Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, anunciou nesta terça-feira (21/03) que seu país imporá novas tarifas a aproximadamente 60 nações nos próximos dias.
Durante uma entrevista, Greer explicou que medida é baseada em uma suposta investigação sobre o uso de trabalhos forçados nos países que integram a lista de sancionados por Washington.
Segundo o representante comercial norte-americano, “os Estados Unidos têm leis que proíbem o comércio de bens produzidos com trabalho forçado”, e que, por outro lado, “a maioria dos outros países não tem uma lei, e aqueles que têm não a aplicam de fato”.
O anúncio de Greer foi parcial, já que não revelou quais serão os 60 países sancionados, mas informou que eles devem receber sanções de entre 10% e 12,5%.
O Brasil poderia ser um dos enquadrados na medida, já que o uso de trabalhos forçados no país foi um dos argumentos utilizados para justificar o mais recente tarifaço contra o país.
Trabalho escravo nos EUA
No entanto, um relatório publicado em 2023 pela ong Walk Free mostra um cenário bem diferente, no qual os Estados Unidos aparecem no décimo lugar em uma lista dos países onde há mais registro de trabalhadores em condições análogas à escravidão.
O estudo, realizado entre 2020 e 2022, identificou 1,1 milhão de casos individuais de mão de obra escravizada, número superior ao do Brasil, que aparece em 11º lugar da lista, com 1,05 milhão de casos.

Jamieson Greer não revelou quais 60 países estarão na lista do novo tarifaço dos EUA
USTR
Entre tarifaços
O novo tarifaço do governo de Trump parece ser uma tentativa de substituir as tarifas temporárias de 10% impostas por sua administração em 2025, mas que foram derrubadas em fevereiro deste ano pela Suprema Corte norte-americana.
Naquela decisão, a máxima instância da Justiça estadunidense avaliou que a Casa Branca “extrapolou seu poder de forma ilegal” ao impor o primeiro tarifaço, e que tal medida precisava de “uma autorização clara do Congresso”, o que não foi o caso.























