Sábado, 16 de maio de 2026
APOIE
Menu

Cerca de dois anos após as eleições norte-americanas que elegeram o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um estudo da revista científica Nature afirma que o algoritmo do TikTok favoreceu conteúdo pró-Partido Republicano em três estados norte-americanos antes das eleições de 2024.

O método utilizado pelos pesquisadores foi o uso de contas falsas que se comportavam como usuários reais, sendo treinadas para consumir conteúdo democrata e republicano. Em seguida, os pesquisadores utilizaram o feed principal da rede, chamado “Para Você”, no qual, segundo eles, houve um “desequilíbrio consistente”.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

Em resposta, o TikTok criticou o estudo, afirmando que o experimento não representa o uso real da plataforma e que os usuários têm diversas ferramentas para controlar o que veem. “Na realidade, as pessoas descobrem e assistem a uma grande variedade de conteúdo em nossa plataforma, que elas continuamente moldam e podem controlar por meio de mais de uma dúzia de ferramentas que os autores parecem desconhecer”, disse a empresa.

De acordo com o estudo, contas pró-republicanas visualizaram cerca de 11,5% mais conteúdo alinhado às suas ideias, em comparação às contas democratas. Além disso, contas democratas tinham 7,5% mais chance de ver conteúdo pró-republicano.

Mais lidas

No total, 323 contas fictícias foram utilizadas no estudo, nos estados de Nova York, Texas e Geórgia, ao longo de 27 semanas da campanha presidencial de 2024. Os pesquisadores analisaram mais de 280 mil vídeos recomendados, utilizando uma combinação de revisão humana e de inteligência artificial.

Eleições norte-americanas em novembro de 2024 elegeram o presidente republicano, Donald Trump pela segunda vez
Solen Feyissa

Segundo o professor Talal Rahwan, do campus de Abu Dhabi da Universidade de Nova York, o aplicativo não estava apenas mostrando o que os usuários queriam, mas sim “dando a um lado mais daquilo que o outro lado dizia sobre ele”.

Os temas abordados nos vídeos também variaram: contas democratas receberam mais conteúdos sobre imigração e crime, enquanto contas republicanas receberam mais material sobre aborto. Ou seja, o algoritmo parece direcionar temas diferentes para cada grupo.

No entanto, os pesquisadores reconhecem que os usuários também podem escolher o que assistir, mas afirmam que o feed “Para Você” é amplamente controlado pelo algoritmo, o que reduz o controle direto do usuário. Por outro lado, um porta-voz da plataforma contestou a ideia de que há poucas opções de personalização.

O estudante de doutorado da NYU Abu Dhabi Hazem Ibrahim, que participou do estudo, afirmou que, no TikTok, “os usuários não precisam seguir ninguém; o sistema decide com base em sinais comportamentais, como o tempo de visualização. Isso o torna um ambiente excepcionalmente limpo para o estudo da influência algorítmica, porque a autoseleção do usuário é minimizada”.