Quarta-feira, 8 de julho de 2026
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O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (01/07) sanções contra dois brasileiros, três empresas sediadas em São Paulo e uma empresa portuguesa, todos apontados pelas autoridades norte-americanas por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Os brasileiros alvos da primeira rodada de sanções econômicas do governo de Donald Trump, que classificou, em junho, o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais, são os paulistas Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.

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O subsecretário para Terrorismo e Inteligência Financeira, Gene Lange, afirmou que a medida “é mais um passo do governo dos EUA para enfrentar e reconhecer a crescente presença das atividades ilícitas do Primeiro Comando da Capital dentro de nossas fronteiras”.

Em comunicado, o Departamento do Tesouro dos EUA informou que a decisão foi resultado de uma investigação conduzida pela Força-Tarefa de Segurança Interna (HSTF), em parceria com o Escritório de Campo do FBI em Miami e a Seção de Lavagem de Dinheiro, Narcóticos e Confisco do Departamento de Justiça norte-americano.

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No documento, o governo Trump descreve o PCC como a “maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental” e afirma que a facção representa uma “ameaça significativa à segurança nacional dos EUA”. O comunicado também acusa o grupo de utilizar o sistema financeiro norte-americano para lavar dinheiro.

Segundo o Tesouro dos EUA, Shimada seria o “elo fundamental” entre integrantes do PCC na Flórida e traficantes internacionais ligados à facção. As autoridades norte-americanas o acusam de lavar mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) em recursos ilícitos gerados em diversas cidades dos EUA, utilizando criptomoedas para transferir valores ao Brasil em benefício do PCC. Ele também é acusado de envolvimento em outros crimes financeiros além da lavagem de dinheiro do tráfico.

O Ministério Público de São Paulo denunciou Shimada em julho de 2025 por lavagem de dinheiro no âmbito do escândalo da VaideBet, ex-patrocinadora do Corinthians.

Segundo o governo dos EUA, a Victory Trading, da qual ele é sócio, foi utilizada para lavar dinheiro desviado do clube de futebol brasileiro Corinthians, porém, o comunicado não cita nominalmente o time.

Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira também foi sancionada. Segundo as autoridades norte-americanas, ela atuava como “secretária” de Shimada e é apontada como sua parente.

As medidas foram anunciadas pelo governo Trump com base em uma investigação das autoridades norte-americanas sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção
The White House

Além das duas pessoas físicas, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, por sua sigla em inglês) aplicou sanções a quatro empresas supostamente ligadas a Shimada: Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda., Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda., Wave Construções Inteligentes Ltda. e Avenidas Flutuantes Unipessoal Ltda.

Segundo o Tesouro dos EUA, a Victory Trading presta serviços financeiros; a Pixwave atua no setor de soluções de pagamento; a Wave Construções Inteligentes é uma empresa da construção civil; e a Avenidas Flutuantes opera no ramo de transporte e armazenagem e tem sede em Portugal.

Com a aplicação das sanções, todos os bens e interesses em bens das pessoas e empresas incluídas na lista que estejam nos Estados Unidos ou sob controle de cidadãos ou empresas norte-americanas ficam bloqueados.

O comunicado da OFAC alertou que instituições financeiras e terceiros podem estar sujeitos a sanções caso realizem determinadas transações ou atividades envolvendo indivíduos ou empresas designados ou bloqueados.

Até o fechamento desta reportagem, o governo brasileiro não havia emitido nenhum comentário a respeito das medidas norte-americanas.

(*) Com informações de Agência Brasil