Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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Uma reportagem publicada nesta semana pelo diário norte-americano The Wall Street Journal (WSJ), mostra que o governo dos Estados Unidos decidiu intensificar sua presença militar nos países da América Latina através do discurso do combate às drogas.

A estratégia, ademais, conta com a justificativa a atuação dentro do programa Escudo das Américas, lançado em março deste ano pela administração de Donald Trump e que conta com o apoio de 18 países da região.

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Na reportagem do WSJ, o general Francis L. Donovan, do Comando Sul norte-americano, não descartou a possibilidade de realizar operações terrestres em países latino-americanos.

“Queremos ter todas as opções sobre a mesa”, argumentou Donovan para justificar que se dê o próximo passo dentro dessa estratégia de incrementar a presença militar norte-americana na região através da chamada “guerra às drogas”.

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Além das operações terrestres, o general norte-americano relatou que o Pentágono pretende enviar drones MQ-9 Reaper para a América Latina.

Esses dispositivos costumam ser pelas militares dos Estados Unidos para interceptar comunicações eletrônicas, detectar calor e realizar ataques de precisão – alguns deles já foram usados ​​em bombardeios contra embarcações no Caribe e nas costas do Pacífico próximas à América Latina.

Escudo das Américas

Vale lembrar que o Escudo das Américas foi criado oficialmente em março de 2026, durante evento realizado em um ressort particular do presidente Donald Trump, em Miami.

O programa contava originalmente com 12 membros, que assinaram o tratado durante aquela reunião na Flórida: Argentina, Bolívia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, República Dominicana e Trinidad e Tobago, além dos Estados Unidos, que lideram a iniciativa.

Nos meses seguintes, outros sete países se somaram à coalizão: Bahamas, Belize, Chile, Colômbia, Guatemala, Jamaica e Peru.

O general norte-americano Francis L. Donovan, de óculos, dando instruções durante um exercício militar
US Marine Corps

Entre os países que entraram depois no programa, dois deles, Colômbia e Peru, o fizeram após eleições recentes vencidas por candidaturas de extrema direita – nas quais foram eleitos Abelardo de la Espriella e Keiko Fujimori, respectivamente.

Um terceiro, o Chile, já tinha seu ingresso encaminhado, através de José Antonio Kast, que participou do evento no resort de Trump em Miami, mas como presidente eleito – tomou posse do cargo dias depois e a decisão de formar parte do Escudo das Américas foi um de seus primeiros atos de governo.

Posição do Brasil

O Brasil não forma parte do Escudo das Américas, mas as eleições presidenciais neste mês de outubro podem definir a posição real do país a respeito do programa.

Até o momento, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não demonstra interesse em formar parte da iniciativa, postura que poderia ser mantida caso ele seja reeleito para um quarto mandato.

No entanto, seu principal adversário no pleito, o senador de extrema direita Flávio Bolsonaro, já prometeu que se eleito levará o Brasil a formar parte do Escudo das Américas.

Vale recordar que, mesmo o Brasil não fazendo parte do programa, a estratégia dos Estados Unidos de combate às drogas na região latino-americana também envolve o país, o que pode ser observado em medidas como a declaração das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações “narcoterroristas”.

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