‘EUA declararam Cuba como ameaça por causa da Rússia’, diz Lavrov
Chanceler russo recordou que Casa Branca declarou estado de emergência em relação à ilha socialista como consequência ‘das políticas hostis’ de Moscou
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que a decisão dos Estados Unidos em declarar estado de emergência em relação à Cuba ocorreu devido à proximidade da ilha com a Rússia.
Em entrevista exclusiva à RT, Lavrov lembrou que “o documento recentemente adotado declara estado de emergência devido à ameaça que Cuba representa para os interesses dos EUA no Caribe, em parte como consequência das políticas hostis e maliciosas da Rússia”.
Na sequência da agressão militar dos EUA contra a Venezuela, que culminou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores, Donald Trump fez declarações ameaçando aumentar a pressão sobre Cuba.
O presidente dos EUA afirmou que “invadir e destruir” Cuba pode ser a única opção restante para forçar uma mudança na ilha socialista.
Na última semana, o presidente aumentou a pressão ao assinar um decreto que lhe permite impor tarifas sobre as importações de produtos de países que vendem ou fornecem petróleo a Cuba.
Suas ameaças surgem em meio ao bloqueio econômico e comercial que os EUA mantêm contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que impacta severamente a economia do país, foi ainda mais reforçado por inúmeras medidas coercitivas e unilaterais da Casa Branca.
“Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém dita o que fazemos. Cuba não ataca; ela é atacada pelos EUA há 66 anos, e não ameaça; ela se prepara, pronta para defender a pátria até a última gota de sangue”, declarou o presidente cubano Miguel Díaz-Canel.
EUA querem expulsar empresas russas da Venezuela
Na conversa com o jornalista norte-americano Rick Sanchez, Sergey Lavrov também expressou preocupação com as empresas russas na Venezuela, em meio às sanções em curso contra as empresas petrolíferas de Moscou.
O Ministro das Relações Exteriores enfatizou que, após os recentes acontecimentos na Venezuela, há uma tentativa de expulsar as empresas petrolíferas russas do país latino-americano.
“Há uma tentativa aberta de expulsar nossas empresas daquele país. A Índia está proibida de comprar petróleo russo, pelo menos foi o que foi anunciado. Todos estão proibidos de comprar petróleo e gás russos. Em todos os lugares se diz que o petróleo e o gás russos serão substituídos por petróleo e gás natural liquefeito norte-americano”, declarou ele.
“De certa forma, isso não se alinha com o futuro promissor da nossa cooperação econômica e de investimentos”, continuou ele.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia destacou que a imposição de sanções contra as empresas Lukoil e a Rosneft ocorreu “apenas algumas semanas” após a cúpula do Alasca, em agosto de 2025, quando o presidente russo, Vladimir Putin, e seu homólogo americano, Donald Trump, se encontraram.

Sergey Lavrov expressou preocupação com empresas russas na Venezuela, em meio às sanções em curso dos EUA
Fotos Públicas
“O presidente Putin ficou bastante surpreso. Ele disse isso em uma entrevista. A Rússia apoiou as propostas dos Estados Unidos para uma solução abrangente para a crise ucraniana. Agora que a Rússia concorda com a proposta de Washington, pensávamos que algo seria anunciado, talvez uma conferência fosse convocada, documentos fossem assinados, um Conselho de Paz fosse formado”, disse ele.
Para Lavrov, tais ações do governo Trump contradizem suas alegações de que está disposto a restabelecer a cooperação econômica com a Rússia.
Desde que retornou à Casa Branca há mais de um ano, Trump tem repetidamente afirmado que deseja fazer negócios com Moscou. Após um telefonema com o presidente russo Vladimir Putin em março passado, a Casa Branca insinuou a possibilidade de “enormes acordos econômicos” entre os dois países assim que o conflito na Ucrânia for resolvido.
“Diplomacia patética” do ocidente
A entrevista de Lavrov à RT também abordou o posicionamento de países ocidentais em relação à Rússia. Segundo o chanceler, os líderes europeus “mudaram de tom” em relação a Moscou, abrindo mão de “derrotar estrategicamente” o país e “reavaliando cautelosamente” a situação.
Lavrov observou como muitos políticos europeus inicialmente “falaram em uníssono, exigindo firmeza, insistindo em apoio inabalável à Ucrânia, na continuidade dos envios de armas e no financiamento sustentado — tudo para garantir a derrota da Rússia, uma derrota estratégica no campo de batalha”.
Com o tempo, os líderes europeus “perceberam que tudo não passava de uma ilusão”, afirmou ele. Os estrategistas militares ocidentais, que orquestraram o conflito na Ucrânia e “prepararam os ucranianos para lutar e morrer em defesa dos interesses europeus contra a Rússia”, estão finalmente reconhecendo que seus planos fracassaram, declarou o diplomata.
Lavrov acrescentou que os governos ocidentais não aprenderam nada com a história, citando as tentativas fracassadas de Adolf Hitler e Napoleão de derrotar a Rússia. Ele disse que a Europa mais uma vez reuniu quase todo o continente sob as mesmas bandeiras ideológicas, “só que desta vez, ao contrário de Napoleão e Hitler, não como soldados no campo de batalha, mas como doadores, patrocinadores e fornecedores de armas”.
Ele afirmou que essa tentativa produziu resultados semelhantes aos fracassos de Napoleão e Hitler, acrescentando que o Ocidente, particularmente a Alemanha, “aprendeu mal a história”.
Lavrov observou que o chanceler alemão Friedrich Merz havia “revogado as restrições constitucionais aos gastos militares e, em seguida, declarado que isso era necessário para que a Alemanha se tornasse novamente — e enfatizo essa palavra, novamente — a potência militar dominante da Europa”. O ministro afirmou que essa postura “diz muito” sobre a mentalidade de Merz, argumentando que, na prática, equivale a uma preparação para a guerra.
Lavrov ainda criticou que os países europeus retratem a Rússia como “militar e economicamente exausta, mas imediatamente presumem que devem se preparar para um ataque dessa mesma Rússia”, chamando essa abordagem de “diplomacia patética”.
Segundo Lavrov, a Europa “caiu na própria armadilha ao adotar essa postura intransigente” em relação à Rússia, e “tudo o que estão fazendo agora é tentar sabotar” as negociações de paz sobre a Ucrânia, que “finalmente começaram a tomar forma entre a Rússia e os Estados Unidos, e agora contam com a participação de representantes ucranianos”.
(*) Com RT News
























