EUA divulgam vídeo defendendo ‘domínio’ nas Américas: ‘não será mais questionado’
Departamento de Estado resgatou Doutrina Monroe para reforçar influência norte-americana no Hemisfério Ocidental em meio às tensões com Brasil e China
O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou nesta terça-feira (11/08), um vídeo na rede social X sobre a Doutrina Monroe afirmando que a predominância americana no Hemisfério Ocidental “nunca mais será questionada”. A manifestação ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Washington, países da América Latina e antigos aliados.
Criada em 1823 pelo ex-presidente norte-americano, James Monroe, a Doutrina Monroe estabeleceu que as potências europeias não deveriam interferir ou ampliar seus projetos de colonização nas Américas. Logo, com o passar do tempo, o princípio passou a ser utilizado pelo país como uma justificativa para defender sua influência política e estratégica sobre o continente.
No vídeo publicado na manhã desta terça, o Departamento de Estado recupera episódios históricos relacionados à aplicação da doutrina e relaciona o conceito à atual política externa norte-americana. A publicação cita, entre outros acontecimentos, a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962, e a atuação do governo Ronald Reagan contra grupos latino-americanos apoiados pela União Soviética.
A produção também menciona ações do atual governo Donald Trump e apresenta a chamada Operação Resolução Absoluta como um exemplo da disposição norte-americana de exercer influência na região. Segundo o Departamento de Estado, a nova estratégia de segurança nacional estabelece que a predominância dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental não deverá ser novamente colocada em dúvida.
Vale ressaltar, que a declaração acontece um dia depois de a China solicitar participação nas consultas iniciadas pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
The Monroe Doctrine has shaped U.S. foreign policy for over two centuries. 🇺🇸
American dominance in the Western Hemisphere will never be questioned again. pic.twitter.com/hsoGS17gqV
— Department of State (@StateDept) August 11, 2026
Divergências acumuladas entre EUA e Brasil
Nos últimos anos, a relação entre Brasília e Washington atravessa um período de forte desgaste. Um dos episódios mais recentes foi a revogação, pelos Estados Unidos, do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Logo, vale ressaltar que a medida ocorreu enquanto o governo brasileiro ainda não havia aprovado a indicação de Daniel Perez para o cargo de embaixador estadunidense no Brasil. O político da Flórida é considerado aliado do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.
As divergências entre os dois governos envolvem questões políticas e judiciais, já que autoridades norte- americanas acusam o governo brasileiro de adotar medidas contra grupos conservadores, enquanto Brasília rejeita o que considera tentativas de interferência dos Estados Unidos nos assuntos internos do país e na política latino-americana.
A disputa comercial também aumentou a pressão sobre a relação bilateral após Washington impor tarifas sobre produtos brasileiros.
Retorno
A retomada da Doutrina Monroe ocorre em um momento de disputa crescente pela influência política e econômica nas Américas, já que presença da China na região, cause o aumento das divergências entre Washington e governos latino-americanos e os atritos com aliados tradicionais colocam o conceito histórico em um novo contexto.
No entanto, ao recuperar a doutrina em seu discurso, o governo norte-americano reforça a intenção de manter o Hemisfério Ocidental como uma área prioritária de seus interesses estratégicos, sinalizando resistência à expansão da influência de outras potências na região.























