EUA matam duas pessoas em novo ataque a barco no Caribe
Mais de 50 operações foram realizadas desde setembro sob alegação de combate ao narcotráfico, totalizando 188 vítimas fatais; entidades denunciam 'execuções extrajudiciais'
Um novo ataque militar dos Estados Unidos contra embarcações no Mar do Caribe deixou dois mortos nesta segunda-feira (05/05), elevando para 188 o total de vítimas da campanha norte-americana contra barcos no Caribe e no Pacífico oriental.
As operações, iniciadas em setembro de 2025, já contaram com mais de 50 ataques. A Casa Branca afirma tratar-se de ações contra grupos narcotraficantes que levam drogas aos Estados Unidos pelos mares da região. As alegações, no entanto, são apresentadas sem provas, o que vem motivando reiteradas condenações de governos e entidades de direitos humanos.
A operação desta segunda-feira (04/05) foi ordenada pelo general Francis L. Donovan, chefe do Comando Sul, responsável por operações na América Latina, América Central e Caribe. A entidade divulgou um vídeo mostrando um projétil voando em direção a um barco no mar.
Especialistas ouvidos pelo The Guardian contestam o uso da força letal, argumentando que o Exército não tem permissão para atacar civis que não representem uma ameaça iminente de violência, mesmo quando suspeitos de crimes.
Em comunicado ao Congresso, a Casa Branca defende as ações, alegando que o presidente Trump havia “determinado” que os Estados Unidos estão em um conflito armado formal com cartéis de drogas e que as tripulações de barcos traficantes são “combatentes”.

EUA matam duas pessoas em novo ataque a barco no Caribe
Reprodução vídeo / Comando Sul dos EUA
‘Execuções extrajudiciais’
Recentemente, cerca de 125 organizações civis, religiosas e de direitos humanos divulgaram um documento apelando “a todos os Estados para que cessem imediatamente ou se abstenham de apoiar execuções extrajudiciais perpetradas pelos Estados Unidos no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico”.
Entidades como Anistia Internacional, Human Rights Watch, Escritório Latino-Americano de Washington e União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) alertam que em quase todos os casos dos ataques, os tripulantes morreram. Em geral, três ou quatro pessoas em cada ataque.
As ONGs relatam que “a identidade da maioria das vítimas permanece desconhecida e não há evidências de que elas representassem uma ameaça iminente a indivíduos ou aos Estados Unidos”. Diz ainda que “especialistas jurídicos, sociedade civil, ex-advogados do governo dos EUA, bem como ex-membros e membros das Forças Armadas dos EUA concordam: os Estados Unidos estão cometendo execuções extrajudiciais, segundo o direito internacional”.
“O direito à vida e ao devido processo legal são princípios fundamentais do direito internacional”, portanto, “esses ataques — realizados fora de conflito armado, sem acusações ou julgamento, e dirigidos contra pessoas simplesmente acusadas de participar do tráfico de drogas, o que não constitui ameaça iminente ou ataque armado — configuram violações claras desses direitos”, afirmam.
























