O governo dos Estados Unidos classificou a ativista palestina que vive no Brasil Rawa Alsagheer como “terrorista” e impôs sanções contra ela por coordenar a Rede Samidoun, alvo de sanções dos EUA e do Canadá em 2024, e ser membra do comitê executivo do Masar Badil.
A ativista disse a Opera Mundi estar “do lado certo da história”. “Essas classificações estão sendo utilizadas pelos imperialistas contra as vozes e os movimentos que estão realmente incomodando, que estão trabalhando para uma revolução e uma unificação popular”, disse, acrescentando que “eles podem colocar sanções e considerar o que quiserem, mas no final sabemos que estamos corretos e do lado certo da história”.
As medidas foram anunciadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), do Departamento do Tesouro dos EUA, com base na legislação norte-americana de combate ao terrorismo. Além de Alsagheer, a administração Trump também sancionou Zaid Abdulnasser, outro dirigente do Movimento Masar Badil, que vive na Alemanha.
Como consequência das sanções, eventuais recursos dos alvos mantidos nos Estados Unidos ou sob controle de cidadãos e empresas estadunidenses ficam bloqueados. Transações de cidadãos norte-americanos com as pessoas e organizações incluídas na lista também ficam restritos.
“Como movimento, nós estamos em quase 30 países pelo mundo. Então, essa força, claro que eles vão considerar terrorista e fazer o possível para interromper a nossa luta, mas eles nunca vão conseguir, porque nós lutamos pelo amor à terra, pela libertação e pelos povos oprimidos”, diz.

Militante palestina Rawa Alsagheer é sancionada pelo governo dos Estados Unidos
Foto: Camila Picolo
Nascida na Síria e de origem palestina, Alsagheer chegou ao Brasil em maio de 2015, atraída pela política de acolhimento a refugiados palestinos durante o governo Dilma Rousseff.
A militante afirma “não ter vínculos financeiros com os Estados Unidos ou com outro país” e diz que trabalha de forma autônoma no Brasil e utiliza bancos brasileiros. Segundo ela, após ser demitida do Museu da Imigração do Estado de São Paulo, em novembro de 2023, passou a dar aulas de árabe.
Alsagheer também relatou ter sofrido tentativas de invasão de seu computador e disse que foi banida de redes sociais, o que teria afetado sua principal fonte de renda. Para ela, as sanções representam uma “tentativa de atingir sua atuação política em defesa da Palestina”.
Coordenadora da Rede Samidoun de Solidariedade aos Prisioneiros Palestinos e integrante do Comitê Executivo do Movimento Masar Badil, ela afirma que as organizações são alvo de medidas por sua atuação em defesa dos direitos palestinos e dos prisioneiros.
Além disso, a militante diz não pretender recorrer da decisão e acredita que as sanções não terão impacto significativo sobre sua vida no Brasil, afirmando: “eu moro e trabalho no Brasil. Meu ativismo é no Brasil”.
Ela também declarou confiar que o governo brasileiro não a prejudicará em razão das medidas adotadas por Washington, e que continuará sua atuação política: “Então, a minha luta continua, e eles podem me considerar da forma que quiserem”.
Para Alsagheer, a luta pela libertação palestina significa a derrota do sionismo, que será o primeiro passo para derrotar o capitalismo e o imperialismo e alcançar a liberdade de todos os povos.