EUA se retiram da Organização Mundial da Saúde sem pagar o que devem
'Cooperação global não é um luxo, é uma necessidade biológica', afirma Sociedade de Doenças Infecciosas da América (IDSA) apontando para os riscos da medida
Os Estados Unidos formalizaram nesta quinta-feira (22/01) sua retirada da Organização Mundial da Saúde (OMS), cumprindo uma promessa feita pelo presidente Donald Trump desde a posse. Durante seu primeiro mandato, ele tentou tirar o país da agência das Nações Unidas, mas a decisão foi revertida pelo então presidente Joe Biden.
O governo Trump justificou a decisão alegando falhas da agência no enfrentamento da covid-19, inclusive, culpabilizando a agência por encobrir o papel da China na pandemia, na esteira das falsas acusações contra o país feitas por Trump durante a pandemia. A Casa Branca também alega que a medida busca reparar danos supostamente causados ao país pela entidade.
Com a decisão, os Estados Unidos passam a ser o primeiro país a se desligar da OMS, desde sua criação em 1948. A saída foi oficializada após Trump assinar uma ordem executiva determinando o desligamento. Em comunicado conjunto, os Departamentos de Estado e de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos informaram que, “a partir de agora, a colaboração dos EUA com a OMS será estritamente limitada à execução de nossa retirada e à salvaguarda da saúde e segurança do povo americano” e que “todo o financiamento e pessoal dos EUA para iniciativas da OMS cessaram”.
A OMS lamentou a decisão. Segundo a entidade, a retirada só será plenamente aceita após o cumprimento das obrigações financeiras pendentes do país. A dívida dos Estados Unidos, que deixou de pagar suas contribuições entre 2024 e 2025, é estimada em mais de US$ 260 milhões. A entidade das Nações Unidas também exige aviso prévio de um ano, iniciado após a notificação formal do governo norte-americano.
No começo desta semana, o Departamento de Estado norte-americano afirmou à NPR, que “os Estados Unidos não farão nenhum pagamento à OMS antes de nossa retirada”, acrescentando que “o custo suportado pelo contribuinte dos EUA e pela economia americana após a falha da OMS durante a pandemia de Covid — e desde então — já foi alto demais.”

EUA se retiram da Organização Mundial da Saúde sem pagar o que devem
Molly Riley / White House
Entidades reagem
A Sociedade de Doenças Infecciosas da América (IDSA) divulgou um comunicado afirmando que a decisão colocará em risco a vigilância viral para os Estados Unidos. “A retirada dos EUA da Organização Mundial da Saúde é um abandono míope e equivocado de nossos compromissos globais de saúde”, afirmou o presidente da entidade, Ronald G. Nahass, ao salientar que “a cooperação e a comunicação globais são fundamentais para manter nossos próprios cidadãos protegidos, pois germes não respeitam fronteiras”.
“Retirar-se da Organização Mundial da Saúde é cientificamente imprudente. Ele não reconhece a história natural fundamental das doenças infecciosas. A cooperação global não é um luxo; É uma necessidade biológica”, diz a declaração. O texto adverte que o acompanhamento internacional de ameaças emergentes como o Ebola ou os surtos anuais de gripe é essencial.
A IDSA lembra que, ao se retirar da OMS, o país não participará mais do Sistema Global de Vigilância e Resposta à Influenza, o que “dificultará seriamente os esforços para combinar vacinas com cepas circulantes de gripe”.
A entidade Médicos Sem Fronteiras (MSF) também se manifestou, criticando a administração Trump pelo último ano de retirada de ajuda externa de várias agências, afirmando que a decisão “prejudica gravemente a cooperação e a solidariedade internacionais nessas questões. Clínicas fecharam as portas. Medicamentos essenciais ficaram retidos em portos. Profissionais de saúde perderam seus empregos. O custo humano foi catastrófico”.






















