Fórum Econômico Mundial começa em meio a protestos contra ingerências dos EUA
Participação de Donald Trump, a primeira após seis anos, domina agenda em Davos; mais de 300 representantes estadunidenses marcam presença no evento
Marcada por tensões globais e pela volta de Donald Trump à Casa Branca, a 56ª. edição do Fórum Econômico Mundial começa nesta segunda-feira (19/01), em Davos, com forte aparato de segurança ante os protestos iniciados desde sábado (17/01) na cidade suíça.
O encontro, entre os dias 19 e 23 de janeiro, reúne líderes políticos, empresariais e financeiros de mais de 100 países e tem como lema “o espírito de diálogo”, em um cenário marcado pela escalada do arbítrio de Washington, incluindo a agressão contra a soberania venezuelana, tarifaços contra os países e a atual tentativa de anexação da Groenlândia, em franca queda de braços entre os EUA e os países da OTAN.
A presença de Trump, primeira no evento em seis anos, domina a agenda de Davos, aonde ele chega com mais de 300 representantes, a maior delegação norte-americana já registrada. De olho nas midterms em novembro, as eleições de meio de mandato no Parlamento, Trump deverá usar Davos como púlpito para se comunicar com o eleitorado norte-americano.
Segundo analistas ouvidos pelo New York Times, Davos focará em conflitos globais como a Guerra na Ucrânia, a situação na Venezuela, as tensões no Irã e no Oriente Médio. Na pauta econômica, entre as discussões, constam o futuro dos mercados globais, a questão do petróleo e dos combustíveis fósseis, as ofertas públicas, além da sucessão no comando do Federal Reserve, o Banco Central norte-americano.
Entrevistado pelo jornal, Robert Zoellick, ex-presidente do Banco Mundial, destacou que ‘grande parte da discussão paralela do evento será “onde estão as oportunidades e onde estão os pontos de perigo”.

Protestos em Berna, Suíça, se somam aos demais que ocorrem durante o Fórum de Davos
@RaimondLueppken / X
Protestos
Os protestos prometem ser intensos ao longo do evento. No sábado (17), cerca de 600 manifestantes iniciaram uma marcha a partir do município de Küblis em direção à estação alpina, segundo a agência suíça Keystone-ATS. Cartazes com frases como “Democracia em vez da ditadura do WEF” e “Democracia em vez da oligarquia” marcaram o protesto, convocado pelo coletivo Strike-WEF, que afirma lutar “pela justiça social” e “por um mundo em que todos tenham o suficiente para viver”.
No domingo, 300 pessoas participaram de outra manifestação contra o fórum e a presença de Trump; e em Berna, um protesto não autorizado foi rapidamente dispersado pela polícia. O clima de alerta se reflete no esquema de segurança, segundo reportagem da CNN Brasil, há quase dois agentes de segurança para cada participante credenciado em Davos, um total de 5 mil agentes para 3 mil participantes.
NTY informa que um relatório do Eurasia Group, divulgado às vésperas do Fórum de Davos, classificou os Estados Unidos “como a principal fonte de risco global em 2026”. O fundador da consultoria, Ian Bremmer, ouvido pelo jornal aponta que o país continua sendo, “de longe, o país mais poderoso” e consequentemente, “quando grandes coisas acontecem nos Estados Unidos, elas têm um impacto desproporcional”.
Em sua avaliação, desde 2017, Washington tem se mostrado menos disposta a liderar a ordem internacional do pós-guerra e que “nenhum outro país ou grupo de países seria capaz e disposto a substituir os Estados Unidos por um período de tempo”. Trump, contudo, “não é a causa” desse processo, mas “um sintoma” e “um acelerador significativo”, aponta Bremmer.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participa desta edição do encontro em Davos. O país é representado pela ministra do Planejamento, Simone Tebet.




















